quarta-feira, 19 de julho de 2017

SEM MEDO DE PERDAS






Quando o céu adormece,
E a escuridão se ilumina,
É especial o carácter da vida.
Os Mestres sabem falar
De todos os mistérios.
Criam um pátio, palco teatral
Onde os mortais se acomodam
Em supostos lugares pre destinados
Numa plateia sossegada
Num anfiteatro criado à medida.
Só revelam o necessário
Para alimentar a herança da dúvida!
Assim eles dizem, assim eles fazem.
São os anjos, flamejantes máquinas
De Gigantes bíblicos infiltrados?
São os escribas, retomas encomendadas
E alimento para culturas diferentes?
Romantizada é a História,
Que os olhos lêem por tempos
Até que o Tempo os engane.
Nada do que era o é agora.
Sobra sempre o que está acima,
Falta sempre o que está abaixo!
Hermética comunicação dos Deuses,
Ou filosofia de uma existência
Que nos transforma em nano seres
Inventados para entretenimento?!
É certo que pensando,
Temos de adiantar o jogo,
Vivendo-o com individualidade.
Ser livre é a base da lei!
Por isso sou livre,
Por isso penso e digo o que penso.
Não invento, mas assimilo os Ensinos.
Quero aprender, porque é esse o jogo.
Um jogo sem fim,
Este que nos toca jogar.
Joguemos sem medo de perdas
Porque tudo se transforma,
Na forma, entre o corpo e a Alma.




19JULHO2017



domingo, 9 de julho de 2017

HORA DE NADA






É hora de nada.
Absolutamente nada.
Vazios.
Vazio e vácuo.
Inércia.
Silêncio.
Ausência.
Saudade.
É hora de nada!




09JULHO2017

terça-feira, 4 de julho de 2017

A PORTA DO INFINITO





Converter tudo o que sei
Tudo o que quero saber,
Num câmbio emocional,
Seria o negócio do século.
Os impérios ainda existem
Procurados sem coordenadas
Nem tão pouco fronteiras físicas.
Queria um Quinto Império
Anunciado por um Mestre
Que me deu esta paixão.
A auréola, é a conquista
Que cerca o meu estado passivo
De uma devoção não anunciada.
É complexa a caligrafia
Que só o Criador decifra.
Cá em baixo, sinto-me
Assim, ambíguo e vasto
Como se estivesse em cima
Por ser tudo igual.
Só não sei as proporções,
Mas sei da linha divisória
Que mais perto fica
Das janelas das Almas.
Ver. Ver o horizonte
O acima e o abaixo,
Nesta cabala inacabada
Que me estanca a inteligência.
São anciãos que me dizem
De história acumulada
Entregue e edificada
Por guerras de anjos
E fogos de um céu azul.
Romantizar traiu-me.
A sentença foi dada,
O incompleto será eterno.
Conhecimento
É a porta do Infinito.




04JULHO2017

PREOCUPAÇÃO







Preocupação.
Um alvo reverso
às pétalas de rosas.
Espinhos,
Sangue arranhado
por dores agradáveis.
A seiva e
O silêncio.
A homilia da fé,
O exagero do acreditar
A falta de exclusividade.
Desabafos
Pelas orquídeas,
Sensuais ao desejo
na flor do teu corpo.
O espaço
A turbulência inexplicada,
E a genialidade própria.
Pintar-te.
Aguarela ou pigmento
Sulcos, vales e vento
E a fonte de onde bebo.
Preocupação?
Não!
Não! Não!
Perdição nesta efémera estadia
Deleite de noite e de dia,
Porque amar, é além dos corpos.
Mas com eles, sempre neles e
Dentro deles.
Como nós.
Almas...
Mistério e espírito.
De um pai
De um filho
De um Santo,
Aflito pela Eternidade!



04JULHO2017



domingo, 2 de julho de 2017

MULTIDÃO INDECIFRÁVEL







Reparei nos lábios das pessoas
Que passaram por mim
Durante uns minutos.
Tentar entender a complexidade
Não é tarefa fácil para curiosos.
Todo o mecanismo do meu corpo,
Dos outros corpos, indivíduos,
Grupos, civilizações, etc
É drástico, se pensar em resultados.
A procura é infindável
Um infinito pleno, sem resultado.
Ser corpo, ser carne e espírito
Ser amigo, amante, pai, mãe e nada,
São pormenores desta moldura viva.
Tenho esta irrevogável sensação
De ser uma marionete, ou programa
De um jogo mais que avançado,
Onde o ser génio, já não é genialidade.
Os adjectivos são imensos,
Quase todos aplicáveis
Por esta linguagem matemática,
Que é a certeza de existir.
Queria ser quântico,
Poder esterilizar o mal
De forma irreversível.
Explorar e alterar a Criação...
Queria tanta coisa. Querer,
Querer é poder, por esperança.
Os lábios, falavam enquanto
A multidão incontável,
Ondulava ao nível da minha vista.
É um espectáculo peculiar!
É algo de não copiável
Que o momento proporciona.
Só as cabeças, cabelos, chapéus,
Adereços, carecas, rastas,
Homens, mulheres e crianças...
Um mar de movimento,
Um aglomerado quantitativo
Sem me transmitir qualidade.
Apenas curiosidade.
E é curioso, como os corpos
Tão mecanizados interiormente
Processam atitudes tão frágeis,
Doces, ambíguas, perversas...
O que tentei ver, debalde,
Sem glória, era algo de diferente.
O perigo, escondido na Alma
Que fosse possível interpretar.
Não é possível sem olhar os olhos.
Somos uma raça animal,
multiplicada por manipulação.
Um jogo dos Deuses.
Só as crianças me entendem!



01JULHO2017

sábado, 1 de julho de 2017

UM POUCO DE DEUS





Ter um mar imenso
Neste olhar vazio,
Mais perto do silêncio
Que de mim próprio,
Não é acaso.
A mistura de cor,
É mágica no horizonte.
Azul do imenso espaço,
Azul de um mar qualquer.
E eu, nano proporcional
A uma grandeza mística
Impossível de alcançar.
Sobra a fé
Os locais de culto
E o que me apetece pensar.
É sentir!
É apenas sentir que
Sou um pedaço da criação
Da razão incógnita de ser,
Porque fui eleito invólucro
De uma Alma que me cansa.
O corpo pouco importa,
Tem esta estupidez
Chamada de sensação,
Onde o fantástico,
Se mistura com dor.
É aí que aponto o dedo.
Aponto o dedo ao horizonte
Exactamente a uma linha,
Imaginária, que separa os azuis.
O dedo sente, como eu
Um "efeito borboleta"
Que me amaina o impreciso.
Se me deitar agora,
O filme gravado pela Alma
Não pára e cresce ainda mais
Para uma grande produção
Interna, megalítica, mística
Que me relega a um ponto
No meio deste círculo.
Assim sou Eu,
Um pouco de Deus!



01JULHO2017

sexta-feira, 30 de junho de 2017

PROVAR DE TI





Ao amar-me
Porque me amo,
Amo-te.
Fácil tão pouco
Simples o abraço
Paixão o beijo.
Dedos na pele
Lábios nos lábios
Teus, todos.
Provar em ti
A fonte,
A sede,
A minha sede.
Saciar-me!
Saciar-te!
Ter-te a pele
A sensação e
O peito aflito.
Aflição maravilhosa!
Ter-te
e
Seres tu!




30JUNHO2017

terça-feira, 27 de junho de 2017

O CHEIRO DO VAZIO





Cheira a vazio.
O vento é lento,
Eterno e desencontrado.
Nada permanece no mesmo lugar.
Aqui, onde estou,
Sentado e meio concentrado,
Não será por muito tempo.
Deito-me como me levanto
A manhã, tal como a noite
A estrada, tal como o mar,
Formas e misturas abstratas.
Basta pensar.
Fechar os olhos
Agitar a memória.
O vazio, cheiro inócuo,
É um ventre de vida
Poderoso e insignificante.
Insanável presença a minha,
Maleita de casualidades
Que consigo reverter.
Este vazio
Deixa de existir.
Tenho antídotos de sobra
Que me engelham as ideias.
Vou deslaçar as faltas
Com crescendos de luz.
Devagar,
Devagar que o corpo estranha.
Nada de pressas,
Velocidades e ânsias dementes.
O vazio evapora-se
Por entre os dedos.
Dentro da Alma,
O brilho, um ardor e
A paixão.
Renasço,
Outra vez!




27junho2017




terça-feira, 20 de junho de 2017

HOJE E ESTE POVO





Hoje
É como o calor.
Imenso,
Um sol indecifrável,
Impossível de ler
Uma onda de calor indiscritível.
Hoje
É a miséria do acreditar
Do crédito humano
Da Corrupção activa.
De um povo morto, sem razão.
Existe razão!
A razão da Besta.
O penar do disfarce
A atitude dos inadmissíveis.
Dói-me a Alma lusitana
A Alma que tenho impregnada
Neste corpo Luso.
Dói-me a frieza dos corruptos
A morte por dinheiro,
A diversidade fingida
De um futuro tão alcançável!
Fico mais que triste.
Tento não chegar ao ódio
Porque tenho crescido como Homem.
Não quero ódio, mesmo que
Tenha toda a razão para o usar
Porque é fácil essa desculpa.
Dói-me um país encapuçado.
Uma auréola pintada
Com um sabor saudável que não existe.
São mais umas cervejolas,
Um jogos de futebol
E uma visita Papal.
É triste !



20JUNHO2017

AMAR E SER CRIANÇA




Falámos de Arte.
Falei-te de Florença,
Falei-te de Vinci.
Falei-te de Pisa,
Falei-te de Roma.
Falámos de tanta coisa
Que as palavras ficaram
Como agulhas,
Que entram nas veias
E nos tratam a vida.
Quero falar de tanta coisa...
Neste momento,
Falar e escrever,
É uma dor imensa.
Não sei quando.
Só sorrio com os pequenos
As crianças que amo,
As outras que não conheço
Mas que amo tanto também.
Basta ser criança para amar.
Indiscriminadamente!
Como quero tanto ser criança.
A minha, que me habita
Percebe o que digo, enciumada.
Ser criança, não é fácil
Pode parecer mas não é fácil.
Eu sei!
Eu sei mesmo!
Não sei que diga,
Estou com os dedos mirrados,
Com a alma descompensada,
Com o cérebro atrofiado...
Mas a criança comanda.
E é isso que eu quero!
Ser comandado por uma criança,
Eu! Um outro eu, retirado
Mas não escondido.
A criança que me seria ser eu,
Que eu mereceria,
Que agora sou.
Esta é a razão do momento.
De uma vida ao minuto,
Com sonhos antecipados
De um futuro como o agora.
E amo,
E amo, porque sinto ser amado.
E é divino,
E é mais que divino!
E é aqui que acabo agora
Porque não me apetece nada da vida
Neste preciso momento,
Que seja sentir o amor.
E ser criança!



20JUNHO2017




sábado, 3 de junho de 2017

ATÉ JÁ!





Sabes,
Estou neste vazio
Entre a semente
E a raiz seca.
Perto da primeira,
Juntinho à segunda.
Os sorrisos...
Os abraços...
As conversas!

Sabes,
As árvores,
Têm aquele ciclo
Tão fascinante
Como tudo o que é fascinante.
Aquele momento,
Em que se semeia vida,
Que nasce um amor
Muito maior que quanto baste.

A Eternidade, nasce
Nunca morre, mas viaja
E tem intervalos.
És mais puro exemplo!

E as raízes,
Essas, crescem e vingam
Num terreno muito próprio
De ternura e afectos que,
Só tu sabes regar.
E a força nasce!
E as vidas nascem!

Um tronco, cheio de vidas
Ramificadas e fortes,
Sem abusos autorizados,
Nem outras coisas estranhas,
Onde só algumas flores,
Têm autorização de despontar.

És flor, a mãe das flores,
Foste e és o rebento
Que despontou tão devagar
Já com um pólen fértil
Que só a tua Beleza,
Tornou o mundo mais bonito.
É difícil conseguir isso!

Outras duas árvores,
Troncos, ramagens e
Futuras flores.
As flores, são frágeis
Daí serem de uma Beleza rara.

Se choro agora,
É da alegria que sinto
Quando penso na Amizade.
A tua e a minha.
Enquanto percorro tantos anos
(digo-te já que não consigo dormir),
De vidas misturadas,
De entradas e saídas,
E o amor que fomos.
E somos!

Tudo isto, é só uma nova rasteira
De um Tempo intemporal,
Insensível e cruel,
Que nos aproxima e afasta
Com estas memórias, recuperadas
Com Deja Vu que não entendemos,
Mas que, outros anjos
Como nós seremos,
Já foram antes e estão ali...

Estão mesmo ali, querida!
Basta levantar os dedos
Tentar tocar o Sol
Tão longe e tão perto
Que me queima as entranhas
De uma Alma que se desgasta
Que entristece com razão.

Claro que estou a falar contigo,
E sei que me ouves.
Ainda ouves, porra!
Claro que os anjos,
(conhecemos alguns)
Estão de braços abertos
E querem desesperados,
Aquele teu abraço
Tão único, tão só teu.

E o sorriso.
Ahhhh e aquele teu sorriso,
Complemento de força e motivação
Que só tu podes ser exemplo.

Todos sabemos.
Todos nós, estes "outros",
Paramos agora e,
Sonhamos acordados,
Com as imagens de uma vida
Que só uma pessoa consegue personalizar
Sem fingimentos e falsas entregas.

E sorrimos. Sorrimos sempre que
A tua face preenche o espaço do pensamento.
Não sabemos,
Mesmo que o quiséssemos,
Ver-te de outra forma.

Pensando bem, em "fast rewind"
Ninguém se te iguala!
Mesmo agora,
De frente para tudo
E para a Luz que existe.
(falámos nisso, na Luz)

Lembras-te?
Falámos na viagem
Que iniciei duas vezes
E retornei por medo e cobardia.
Só mesmo tu podias ter coragem!

Amamos-te sabes?!
Amo-te minha irmã!
E olha...
Espera por mim,
Porque um dia encontramo-nos!

Até já!



02JUNHO2017

domingo, 21 de maio de 2017

O TOQUE DA PEDRA




Vou-me encostando ao chão.
Sabe-me bem o frio da pedra!
Devagar, não me quero assustar
Com os gritos de frio, na pele.
Idealmente,
Seria um bloco de mármore, de
Ferrara ou Pero Pinheiro,
Não importa a zona.
Importa-me a Pedra,
A vida de todas as pedras.
A minha vida e a das rochas,
Uma geologia sensitiva,
De avaliação, a pele e a rocha.
São milhões de anos estes veios
Por polir, mas que já sinto.
Pode ser Granito,
A dureza da vida, que
Sinto no veludo da pele.
Cada vez mais, sinto raízes
Que me saem do corpo.
De dentro para fora.
De um ponto comum ao da pedra.
O ponto é tão interior,
Tão profundo que a sensação,
Ao gerar o meu círculo
É-me orgásmica, sem explicação.
O toque, só pode ser o toque,
Tal como o toque dos dedos,
O toque da pele, do corpo...
O Ponto é Invisível, real.
Talvez a evolução do Eu,
Sem nervos transmitidos
Pelas sinopses descontroladas
Que me sabem a tormento.
E são tantas, que cotadas uma por segundo,
Estaria distraído uns três milhões de anos.
Tenho o tempo condensado dentro de mim,
Que me frustra não poder desmultiplicá-lo.
Sou mais pedra, seixo de água
Em puro deleite ao toque da água.
Polido e metamorfoseado.
Sem arestas,
Nada em mim, impede a corrente.
A água, tem a força do Mundo,
Nada a pára, porque me contorna.
A água, é o choro das pedras,
Do Homem, das nuvens,
De tudo o que eu penso.
Porque sou água,
Porque ouço as pedra.
Porque sou pedra,
Porque sinto a água,
E os pássaros, e o verde...
E desaguo no Mar.
Sou uma escultura viva,
Esculpido sem método nem ordem,
Sem mestria de obra prima,
Por um anjo de mármore,
Que me transforma em vida.




21MAIO2017


sábado, 29 de abril de 2017

ECO DA VIDA



Hoje,
Podias levar-me aos fados.
Onde a solução
É tão aleatória,
Como um fado cantado,
Num tasco,
A modos que refinado,
Num bairro de um céu,
Quase reanimado!
Só quero ouvir a voz,
Uma garganta de lendas
Histórias e afectos,
Uma refinada nuvem,
Que nunca irá cair
De um céu azul
Como o rio e o mar.
Só a saudade me escreve
Esta tolice e um fado,
Que sem desagravo
Te o canto sem música
Porque a não sei,
Mas finjo.
Por meu entendimento,
O beijo que dou e recebo,
É o sentimento.
A Luz de um olhar,
As asas trémulas
No picanço dos pássaros,
Onde toda a ligeira coisa,
Se fecha
E eu, não dou por nada.
A voz!
A voz é esta,
A minha voz,
Solta, cega
E cheia de vida.
O som que eu crio,
É o eco da vida,
Na vida que vivo!



29ABRIL2019

QUERO-TE SEMPRE




Por uns segundos,
Senti-me entre o céu
E os tormentos da vida.
É bom saber que,
Segundos passam depressa.
O tempo é mestre,
Com as diversas formas
Que me atraem
Que me condenam e,
Que me conduzem.
Sou Humano.
Tenho este sentimento
Tão imenso,
Tão carregado de amor,
Que ultrapassa o instinto.
Tenho esta saudade
De ti,
Que me conduz
A uma outra dimensão.
A Felicidade.
Nua, pura e crua,
De quem não tem nada,
E que acaba por ter tudo.
És tu, sim!
Uma riqueza incontável,
Uma sensação indomável
De te ter aqui.
No meio destes braços,
Como um qualquer abraço
Que não o é assim, qualquer.
Tenho no meio de tudo,
Deste poder incrível de amar,
Um vazio enorme.
A ausência,
A distância,
Mas um portal tão real
Que quando o toco,
Como quem toca um espelho,
Sinto a tua pele,
Que me transforma,
E me faz ter a razão da vida.
Quero-te por tudo e,
Quero-te por nada.
Quero-te feliz e,
Quero-te triste.
Quero-te sempre,
Porque é no Sempre
Que reside o Tempo.



29ABRIL2017

terça-feira, 11 de abril de 2017

SINAPSES E O CAOS DA FELICIDADE




É verdade!
As minhas sinapses estão num caos.
Um estado caótico positivo
Alimentado pela Felicidade!
É tão estranho este paradoxo.
Ora, se os meus neuronios,
Individualmente, comunicam
Com sensações e energia
Que as minhas sinapses despacham
a uma velocidade virtiginosa
Via neurotransmissores,
Neuronio por neuronio,
Se a minha sensação é
De reais e crescentes degraus
Galgados na Torre da Felicidade,
Porquê e para quê, este caos interno,
Que se compara de forma oposta,
Mas com reacção final semelhante,
A outros tipos internos de caos?
Os negativos, que não sinto agora?
Quem sou eu e esta massa estranha
Num craneo cheio de uma matéria
Tão ignóbil, e imprescindível
Mas que não se deixa conhecer?
Como sou de Soberba,
Posso comparar num grosso modo
Com um bife fantástico, à minha frente,
Mas que só tenho capacidade
De consumir dez por cento.
Sadismo divino? Egoísmo do Criador?
Arquitectura emocional ?
Venha de lá  Senhor,  Criador,
E tire lá esta coisa a limpo!
Para quê desperdiçar o Tempo?
Eu sei uma resposta. Para que não pare,
Mas não deixando de existir,
Não parando o Tempo,
Porque não alterar a forma?
Altere os porquês e a ignorância.
Esta sensação de "coisas" que sinto,
E tantas vezes se movem
A velocidade não sei se quântica
Se como é criada ou como existe,
Com uma louca velocidade,
Escondida, disfarçada,
Impossíveis de ver a olho nu,
Qual é a minha função real?
Serei eu sinapse de outro neuronio
Num qualquer outro lugar?
Não acredito. Sou pesado e lento.
Mas penso como as sinapses,
E entro em caos como o que elas
Criam em mim.
O Caos está criado,
Mas é bom senti-lo como Felicidade.
Tudo se transforma, nada se perde,
Apenas o caos e as suas formas.
Fico à espera da resolução?
Se tiver o Tempo comigo,
Se o centro neste meu círculo,
Quiser mostrar que o que está em cima
É o que está também em baixo.
Caro Senhor,
Claro que espero!
Com ou sem caos,
Mas Feliz por favor!



11ABRIL2017



domingo, 26 de março de 2017

PARA LÁ DA SAUDADE





Apercebi-me algo importante.
Tão importante como a saudade.
O que é a saudade?
Porque a sinto tanto que me pergunto,
O que há para além da saudade?
Será que tem um fim,
Um limite indeterminado
Uma meta impossível?
A saudade é a reticência da presença,
Não sendo quando já a tenho do futuro.
Queria entender este sentimento,
Ou sensação, ou doença, ou dor,
Ou o que seja esta hiper pulsação.
O que há depois?
Há uma saudade ainda maior?
Será a morte mais forte?
Será que eu sei que sim
Que sei o resultado no subconsciente
E me embrulho nestas duvidas?!
Se é diferente, o que existe
Para lá da saudade, se ela tem poder
De se metamorfosear sem que o entenda,
Porque será que me sinto incompleto?
Só pode ser saudade...



26MARÇO2017

quarta-feira, 8 de março de 2017

É O AMOR, ENQUANTO DURA





Trazer-te por dentro
É uma espécie de fermento
Cresces, e cresces, e cresces,
Até que a pele doa.
Mas não é a pele que me dói,
É esta sensação ilusória
De te sentir cá por dentro,
De onde nada te tira,
Nem o vento, nem o tempo,
Muito menos pensamento,
Pois só a paixão perdura.

Se o tempo fosse adiado,
Nada em mim, seria passado
Nem as memórias existiriam,
Pois aquilo que me faz falta,
O que me faz mesmo falta
É esse género de fermento,
que me faz sentir-te crescer,
Crescer, crescer, e crescer,
Dentro deste meu peito.

Talvez por isso não acredito
Na pureza de todo o Homem,
Toda a pele que me dói
Pela pressão do teu crescer,
Me envolve este invólucro-pele
Já de si tão volúvel.

Torno-me neste corpo volátil,
É o amor, enquanto dura.



08MARÇO2017


segunda-feira, 6 de março de 2017

SAUDADE






É tanta a elegância da saudade!
A inspiração cresce a cada minuto,
Desenhar a imagem
É um mistério que surge
E me faz sentir a originalidade.
Tem como base, esta elegância,
A memória das imagens vivas
Sentir uma atracção turbulenta
Pelas linhas com que alinhavo
Todo um pensamento que idolatro
De preferência, fechando os olhos.
Há um palpitar que estrangula.
Não é falta de criatividade
Mas antes pelo contrário
A impossibilidade do toque.
Não corto nada a eito,
Nem ao revés, nem de outra forma
Até por não ter o jeito
Senão alinhavar a sensação
Comigo vestido, noutra roupa
Que me faz falta tocar e cheirar.
Quanto aos corpos,
São imensos como o mar
O brilhar diferente das estrelas,
E a paixão dos dois unidos.
É no horizonte a união,
Aqui e aí tão perto
Como o provar da tua lágrima.
É esse o sal que faz falta
Esse mineral essencial
Que me alimenta a saudade!



06MARÇO2017



quinta-feira, 2 de março de 2017

COMUNHÃO DOS CORPOS






Antes de adormecer,
Venero a pele nua.
Confesso ao meu corpo
O quanto amo o teu.
A sensação de cansaço,
É o final refinado
Como o teu sabor a sal.
Só assim o sal é doce,
E não dilui na nossa pele.
Percorrem-se caminhos,
Em tons de rosa,
Que se afastam no toque.
Sobrevivemos unidos
Beijamos os socalcos
De cumes hirtos,
Mergulhando nos rios
Que nos sobram.
O estuário é corpo e alma,
É a loucura das estrelas
Quando de olhos fechados,
Gememos ao divino desejo.
É um mapa geométrico,
De curvas e razões para ficar.
Só o silêncio transporta
As sobras da génese.
Tão etéreo é o momento
Temente à dádiva da vida.
E jorram flores vivas
De uma cor escondida
No frenesim de um abraço.
E somos um!



03MARÇO2017





quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

RAÍZES ESTÉREIS





Fazendo justiça ao que penso,
Sobram falhas de felicidade
Distribuidas por tantos motivos.
As notícias. A Imprensa...
Reduzo-me a absorver negatividade,
Na certeza que, muito do que vejo
Nã é pura realidade, mas manipulação.
Sei, que o fulcro das questões,
Não é certo, por acção humana abusiva.
O sofrimento é extremo,
Existente e persistente,
Sem real via de extinção.
Só o Homem está em via de extinção.
Mutila-se num suicídio consciente
Que não admite como real.
Os políticos.
Quem são os políticos?
Um virus criado à imagem da História,
De uma forma disfuncional,
À imagem do Homem.
Quando o interiorizo,
Procuro analisar a boa parte!
A melhor parte e, até a felicidade.
E encontro.
Encontro partes de resultados.
Encontro cada vez menos partes,
Mas encontro. E planto-as.
Vejo-as como raízes férteis,
Onde o defeito está no solo estéril.
E penso na esterilidade da vida.
A virose pandémica da hipocrisia
Contra a inocência pura.
O sorriso das crianças.
O encanto da vida.
A nostalgia de a não ter,
De não poder viver no mundo delas,
Tão diferente, tão naturalmente
Como sádica é a evolução na vida.
E chega a pré idade adulta.
E tudo roda na vida, no mundo,
Recicla-se a entrada no indesejável,
Nas obrigações e prejuízos,
Na luta pela sobrevivência plástica.
No fundo, a sociedade, é uma instalação
Que se torna cada vez mais abstrata,
Cada vez mais possessiva e ambivalente.
É aqui que a Arte é específica
Sem ser específica absolutamente.
É o prolongamento da vida,
O mimo das almas, a fuga à realidade.
Não se pode fugir. Não vale a pena tentar.
Não se pode desistir. Não vale a pena ter pena.
Fazendo justiça ao que penso,
O que mais gosto, é estar vivo. Eu. Vivo...
Vivo para poder pensar surrealisticamente.
A conclusão é feita de uma garantia
A do corpo.
A da morte.
É a única garantia quando se nasce!
Por isso, por tudo e por nada,
É assim que aproveito o Sol,
A chuva, O vento, O mar, O céu,
As crianças, O dia, A noite,
O Amor... Os Eus!
É esta a razão de termos nascido!
Aproveitar a benção,
Desenvolver as raízes,
E não chorar no fim.



23FEVEREIRO2017

domingo, 19 de fevereiro de 2017

CANSADO







Cansado.
Do azul póstumo
De um mar lento
Que me anima
Que me sossega
E não tenho perto.
Cansado.
Desta cabeça estranha
De um interior inverso
À lógica da calma.
Cansado.
Um corpo fragilizado
Às rugas pertinentes
Da revolta da idade.
Cansado.
Simbolismo ancestral
De vitórias recentes na
Mítica existência quântica
Com Deus dentro de mim.
Cansado.
Do presente e do passado
Nesta permanente ansiedade
Porque hoje será o dia...
Cansado.
De amor e saudade
De ausência e distância e
Da tua pele nua.
Exausto de vivo.



19FEVEREIRO2017


A EXTENSÃO DA REALIDADE





Vou esperar que o sol se esconda,
Escorregar pelo musgo de um penedo
Até ao ponto que me pareça, o exacto.
São escolhas do meu esquecimento
Que nunca se apagam, que me fazem assim.
A água, o som do riacho,
O sossego induzido naturalmente,
O cheiro a pinhas, à resina e ao verde,
Amaciam o meu peito, por um olfato
Entusiasmado, e intimamente feliz.
Juntar todas as cores que me cercam,
É pintar um quadro, sem pigmentos reais,
Sem pincéis, sem tela, esponjas, espátulas,
E toda a parafernália de quem pinta.
Aqui, ao alcance da minha visão,
A pintura está feita, acabada,
Com a benesse dos cheiros reais,
Da alteração do horizonte
A uma velocidade que me adormece.
É a arte que amo que vejo agora.
A extensão da realidade, dos momentos,
Da interpretação e liberdade própria,
É este abismo de felicidade
Que me tira o fôlego, como se
Mergulha-se neste abismo hipotético
E senti-se as sensações de queda num vácuo.
O corpo e os elementos.
Apenas o corpo, os elementos e sensações.
Bem hajas vida, enquanto te vivo;
Assim!



19FEVEREIRO2017

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ALGURES, NO FRIO




Saí à rua e
Tudo o que encontrei
Foram ecos.
Ecos dos meus passos
No granito rijo
Ainda molhado da chuva.
A ladainha das casas
É o propósito da aldeia,
O cheiro a madeira queimada,
As lareiras e fumeiros
Plenos de um orgulho ancestral.
O silêncio é quase profundo.
Ouve-se o rastejar de pés
Cansados, novos ou idosos
São pés cansados.
Arrastam os bancos
À beira da lareira e
Ouvem-se estórias de avós.
Adormecem as crianças
Nos aventais de colo
Correm festas nos cabelos.
A pele fica quente
A lareira é o centro
Ouve-se crepitar a lenha,
A tenaz arrasta os toros
Une as brasas num vermelho vivo.
Uma malga de sopa,
Aquece um ou outro estômago
Mais esfaimado,
Com um travo a fumo,
Do calor lento das panelas de ferro.
As chouriças e presuntos,
Jazem penduradas no tecto,
Num leito de madeira,
Indo curando a fome futura
Com uma lentidão ainda maior.
Uma navalha, um casqueiro
Um tomate e pedras de sal,
Uma malga de vinho tinto.
Um primeiro fechar de olhos.
A cozinha escura,
A roupa impregnada
Ao cheiro da fogueira.
Um silêncio feliz,
Resignado e duradouro.
Fim de dia na aldeia.
Algures, no frio.



09FEVEREIRO2017

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

ACTO PINTURA




Hoje
Fechei-me.
A chave,
Atirei fora.
Condicionado
A uma redoma
De Gel.
O som é uterino.
Renascer
Retorno
Fuga
Sonho?
Nem eu sei bem.
Sabe bem!
É meio quente
A sensação oleosa
De movimentos
Ligeiramente travados.
Os olhos fechados
Quatro arestas
Quatro paredes
Ou precipicios...
Movimento,
Simples,
Agressivo,
De alto a baixo;
Hermético.
Pigmentos e óleo
Espátulas e pincéis,
Panos e esponjas...
Já sei!
Afinal,
Alegre e feliz,
Entendo.
Sou pintura!
Sou o acto.




08FEVEREIRO2017

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

LONGEVIDADE




Será que a vida é curta?
Será que é mesmo curta
Como o cliché que se conhece?
Talvez não seja!
Talvez a vida humana
Seja a periodicidade certa
Com os devaneios de saúde
Física, mental e imprevista.
Quando penso em mim,
Sou estranho a tudo!
Sou diferente, sem querer ser.
Apenas sou.
Umas vezes gosto,
Outras vezes não.
Porque tenho de pensar nisto?
Para quê ser inteligente
Quando a inteligência complica
A modos que nem sempre para o bem?!
E há o amor,
O amor dos seres inteligentes,
Além do instinto.
Muito além do instinto
Onde o egoísmo pessoal
Ultrapassa a lógica básica do Mundo.
O Amor!
O que se dá e o que se recebe,
O que se quer e o que se tem,
A entrega e a inércia oposta,
Os porquês?
Há a família, o sangue
A magnetização emocional
O ter medo
O querer ser amado!
Os porquês!
Amar é a coisa mais fácil,
Ser amado é imponderável
É um acto de expectativa
Sem necessidade de realização.
Eu!
Eu amando, sei que sim
Que amo e que não quero nada em troca
Para além do amor
Apenas , mas obrigatoriamente,
Reciprocidade!



06FEVEREIRO2017

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

FOI O AMOR





Foi calor
O que senti
Contigo.
Foi amor
O que senti
Contigo.
Basta não ver
Fechar os olhos
Sentir-te.
Basta saber
Todos os toques
Sentir-te.
Foram os lábios
Os meus e os teus,
Em todos os poros
Alucinados.
Foram os fluidos
Os meus e os teus,
Que bebemos.
Foi a pele
Foram os corpos
O teu e o meu
Colados
Que se amaram.
Foi o auge
Que vivemos
Tremendo
Dentro do outro
Que renovou o mundo.
Foi o amor,
Que palpita e temos
Que fica!



01FEVEREIRO2017


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

SOMBRA HELÉNICA





Quase petrifiquei
Contra o espelho.
Olhar-me...
Sim,
Olhar-me.
Há uma névoa
Que não é inerte.
Algo, de pouco nítido
Se move. Uma auréola
Em movimentos translúcidos.
Os sons, são silvos
Como os que já imaginei
Talvez em sonhos,
Em realidade ou pesadelos.
Seguem-me entrelaçadas
Estas sombras que emergem
De mim, para mim
Com um aumento gradual
De nitidez e realidade!
Sei o que vejo,
Não acreditando, sei!
Sei também,
Que me confundo.
Misturo fases
De locais paralelos,
Sensações e medos,
Desejos e segredos,
Ou um sonho estranho!
Tinha uma medusa enorme,
Na entrada do meu prédio.
Faz anos. Faz muitos anos.
Sempre me impressionei
De tal forma
Que a tocava sempre.
À entrada e à saída do prédio.
Havia um arrepio manso,
Que se criou hábito e necessidade.
Um pouco de dependência
Uma sensação imensa,
Miscelânea entre realidade
E um mundo Olímpico
De falsidades Divinas
Onde me toco e me encolho.
É a profundidade da ignorância,
Sentir o evanescente corpo
Arrepiar na inspiração eterna.
Era isto.
Era esta imagem trémula
Embaciada e desfocada
Que vi ao enfrentar o espelho.
Será manhã ainda,
Ou noite, ou morte.
Será o aziago olhar
De um dia cheio de paralelos
De corpos e almas perdidas
Juntas, somadas, coladas
Neste Eu que me consome.
Sou a sombra helénica
Da hégira do corpo.
E fujo...



01FEVEREIRO2017

sábado, 28 de janeiro de 2017

NÃO QUERO NADA




Todas as reacções têm um equilíbrio
Que me define a sustentabilidade.
Sou ou não sou viável,
À vista dos outros?
Pensar no pensamento dos outros
Em relação a nós, é ridículo.
Eu só quero saber o que é afecto,
Inteligência emocional,
E pouco mais que tudo isto.
Todos os pequenos eus e euforias
Desânimos, inseguranças e... nadas,
São olhos secos num mar de letras
Sem a continuidade do corpo.
São memórias em que me misturo
Sem saber princípio e fim,
É uma miscelândia de sensações
Que me condicionam os dias
Pois por mais que os pesadelos
Se transformem em sonhos,
As metamorfoses não param
Nem eu cresço, nem me mantenho
Nem me torno velho ou eterno.
É tudo um somatório de nadas,
Tão pessoais como inertes.


Hoje tenho o mar!
Basta olhar para o lado e está ali,
Um elemento eterno, mesmo à mão
Com a banalidade da frequência
Do hábito, ou regularidade acessíveis.
A espuma que vejo crescer
Na turbulência do final das ondas,
O desgaste e cansaço do mar,
Ao adormecer no leito da areia,
É um conjunto de pequenas eternidades
Onde o corpo efémero tem acesso
Com todos os sentidos que possui.
E isto é tão raro!!!!!!
É aqui que o equilíbrio se perde,
Por tanto equilíbrio evidente
Aqui ao alcance da minha mão.
Hoje é dia de serenidade.
Depois do amor, de todos os amores
E da minha singularidade humana,
Pequeno e, básico na leitura do Mundo,
Sou enorme na minha capacidade.
Dou tudo, não quero nada!
Sou um Homem Feliz!



28JANEIRO2017

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O SOL PERMANECE




Pelo interessa das terceiras partes,
Ultrapassam-se as primeiras,
Ultrapassam-se as segundas e,
Ficam as conquistas disfarçadas.
Desde que existam partes,
Nunca haverá uma união de facto.
Todas as partes são divisionistas
Com a capacidade da ironia
E prevalência do confortável.
Nunca haverá uma parte
Que a própria origem
Da ideia inicial seja plena e cumprida.
Há o Sol,
O calor envolvente,
Apesar de existir frio e gelo e chuva.
O Sol permanece,
O resto finge-se em pleno estado
De uma igualdade que não existe.
Nunca poderá existir. Nunca existiu.
O bluff, é a ideologia hipotética,
É a utopia do desejável.
O que me dói, é o irrealismo individual.
Toda a gente sabe o que é impossível
Toda agente sabe o que é utopia
Toda a gente sabe de ideologia.
O que me incomoda, é a continuação.
Não de um desejo mais justo,
Não de uma atitude mais humana,
Nada disso tem a ver com o resto.
Falta a atitude concreta,
Para além da exigência ficcional.
Falta a realidade,
Para além dos Tomos irrealistas.
Falta a prática,
Para além das ideologias ultrapassadas.
Falta olhar para o povo,
Para todos os Povos e sentir.
Sentir que o Mundo é diferente
Que não pode ser o que foi,
Mesmo não sendo o que poderia ser.
Nem o que poderia ter sido,
Nada disto faz sentido agora.
Ideologias são só isso.
Ideias, coisas ideais,
Coisas irreais, que se procuram.
Quero só uma coisa!
Quero mesmo só uma coisa!
Que a Humanidade, quando acabar
O que será rápido,
As crianças no mínimo,
Não tenham ideia do mal a que foram condenadas.
Basta nascer para estar condenado,
Bastava nascer para morrer, e o é!
Agora dói, o que não doía.
Vejo Aleppo, Palestina,
Quénia, Namíbia, Somália,
Nigéria, Angola...
Vejo tanto e sou pobre.
Vejo o que os ricos vêem.
Vejo um Mundo
Pouco Humano.
E é aí que fico doente,
Que me dói a Alma e,
Morro ainda vivo!



18JANEIRO2017


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

FUGIR À SOMBRA






Não consigo fugir à sombra!
Hoje fiz um jogo, apalermado
Quando saía do café.
Lembrei-me enquanto me perdi
No vapor que voava da chávena
E a perda encadeada da intensidade.
Foi esfriando, claro
Eu, consumi esta imagem
Com maior prazer, que o café em si.
E saí do espaço adjectivado
A um acto diário, recorrente
Que podia ser usado
Em qualquer outro lado.
Estava frio. Mesmo bastante frio
Para quem sai de um local aquecido
Tanto por dentro, como fora do corpo.
Estava sol, brilhante, maravilhoso
Como é a sensação de enfrentá-lo
De frente, de olhos fechados
E receber a energia quente
Que nos alimenta, tudo!
E veio a sombra,
Com um puxão discreto
Na bainha das calças
Só para dizer que estava ali.
"Está sol, estou aqui."
Tentei fingir que não
Que não existia, tentei frustra-la
Sem lhe ligar um segundo que fosse.
Tentei não mudar de direcção,
Para não me passar à frente,
Para não me contorcer o corpo,
Dobrar-me numa esquina,
Ser atropelado por um automóvel,
Tentei tudo para não a ver.
É impossível fugir à própria sombra,
Mas mesmo tentando, o gozo existe
A sensação impressiona
O desiquilibrio permanente,
O descontrolo gritante do corpo!
Sou um caos na minha sombra.
Deixo-me envolver
Sem perceber que me olham
Quando esses olhares me acusam
Em silêncio repulsivo
De uma certa loucura própria.
Mas não é! É admiração!
É a Física que me goza,
Que me faz gostar o que outros ignoram
E é esse Eu que quero ser.
Ser como a sombra
Irreverente, deformado à vista
Desarmada pelas atitudes,
À impossibilidade de ser controlado,
À surpresa seguinte, e às seguintes
Sempre que me concentre em algo diferente.
Ser diferente, não faz a diferença,
Apenas o é, e há que gozar as pequenas coisas
Que nos atraem, mesmo que estranhas.
Tudo porque bebi um café,
E lhe segui o esfumaçar,
E tropecei na minha sombra.
Hajam sol e vida,
Haja loucura suficiente!



17JANEIRO2017


domingo, 15 de janeiro de 2017

É ASSIM...






O vidro.
A janela fechada
Que me separa do outro lado.
Costumo ter receios
De espelhos.
De separações retorcidas
Que o reflexo atraiçoa.
Tocar um espelho,
É diferente.
Tocar um vidro,
É diferente!
É sentir entrar o corpo num.
É sentir rejeição do corpo noutro.
É tudo elemento.
Sopro, areia e fogo.
É a metamorfose.
É a criação científica do divino.
É essa prosa que me interessa.
É a desproporção do mal,
A Beleza da Alma,
A imaterialidade do amor.
É o pouco a pouco que nos separa,
Que faz da luz a estrada.
Já nem sei como o sinto,
Mas sinto!
Basta fechar os olhos,
Sair do mundo
E entrar na realidade!
É assim...



15JANEIRO2017

RODOPIAR




Sabes o que me apetece?
Rodopiar!
Rodopiar como louco,
Sentir um eixo invisível
Onde o meu corpo ganha velocidade.
Rodando.
Rodando,
Rodando tanto
Até sentir desequilibrio.
Até sentir desfalecer
Todo o corpo,
Pelas fronteiras da pele
Até à extremidades.
Os dedos, colam-se numa membrana
Que fará nadar como os peixes.
As mãos, interligam-se aos braços
Que me fará voar como os pássaros.
Os pés, criam raízes,
Nas extremidades dos dedos
Que me farão sentir como árvore.
E rodopio em mim,
De olhos fechados,
De Alma aberta como nunca
Porque sentir-me assim
É um passo mais perto da felicidade.
A utopia corporal é um luxo
É um poder que não se entende facilmente.
Por isso,
Enquanto escrevo isto,
Não escrevo nada.
Apenas falo com os dedos
Escrevo com os lábios
Enquanto o corpo goza.
Os sentidos são irreverentes
Porque não param de rodopiar.
E crio uma tempestade boa,
Um tornado de pequenas coisas
Que me fazem feliz.
O eixo sou eu.
Sem nexo, sem reflexo,
Sem o pouco que me faz Deus.
É divino o que sinto
Quando estou assim.
Fora de mim,
Em todo o Universo
Que começa e acaba aqui.
Aqui mesmo!
Dentro de mim!




15JANEIRO2017

sábado, 14 de janeiro de 2017

FOTOSINTESE





Sem dar por mim,
Dei-me conta de estar sozinho
Não eu, nem a minha imagem
Mas uma fotografia
Sem retoques nem margens.
Não sei onde, nem quando
Sei que me senti agarrado
A cinzas escorrendo das mãos
Num abrir e fechar de braços
Que deixavam um rasto de asas.
Asas de pó e cinza,
Ora cinzentas ora amarelas
Translúcidas como o purgatório.
Acho que era um pouco disso,
Até porque a imagem é irreal
Cheia de sonhos transformados
Filtrados de pesadelos idos.
Tudo se filtra afinal, até os sonhos
Porque é a partir deles
Destes meus sonhos,
Que vivo a minha realidade.
Sou criança, desde sempre
Desde que cresci. Não antes.
Sou o impulso da realidade
Com o sonho como raiz
Que rego com as lágrimas
Já secas agora, mas guardadas.
Em sonho, posso guardar as lágrimas
Numa redoma cheia de Sol
Onde o deserto não é árido.
É apenas seco, até chegar a madrugada
Até que as gotas de orvalho
Larguem as folhas satisfeitas
De uma seiva persistente
E caiam devagar, lentamente
Dividindo-se em proporções
Equivalentes às lágrimas secas.
E nasce a vida. Renasce a vida,
Onde parou antes, guardada
Com abanos de cabeça
No canto do quarto quase escuro
Sem encontrar a porta de fuga.
Não há choro nem gritos
Não há pânico nem ansiedade
Não há nada!
Há um agora, orvalhado
Resumido a raízes que brotam
De um peito hirto de amor
Que supera toda a violência.
Sou como uma árvore
Que cresce devagar
Sem dar nas vistas,
Rompendo e enrijando
Todos os membros.
O coração é o primeiro
Que enrijece e se cala
Porque aprende tudo
E finge tudo,
Golfando o brado da vida
Por todas as veias
Onde a minha seiva brota.
É a minha fotosintese
Brutal e animalesca
Que corre numa pista de veludo
À procura do Sol.
Já não me escondo
Já não tenho paredes à volta
Nem cantos de medo.
Sou a seiva pura
Que se me mistura
Para ser Eu.




14JANEIRO2017



quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

ESTRELA




Diz-me porque brilhas
Tão perto, nesta distância
Quase inqualificável.
É o Ego do Universo
Que me faz sentir
O real, é o presente.
Sem memórias,
Nem a morte me trairia
Porque a saudação da vida,
É adorar o imaculado
A Fé.
É a história
De todas as vontades,
Que me habitam o subconsciente
Sem me darem razão suficiente
À procura dos meus porquês.
Quero a existência matura
Sem a maturidade da adaptação
Sem o resignar a todas as faltas.
Que posso eu fazer
Se o que me enche a emoção
É a falta de objectividade emocional?
Querer ser inteligente,
É uma tarefa impossível,
Pois pelo que leio, já existem
Tantos seres inteligentes
Que não sobra muito espaço.
E as memórias de Inverno?
A magia das Estações e Equinócios?
Do negro ao brilho
Do calor ao gelo,
Da solidão ao amor,
Os dois juntos?
Que fazer aos paradoxos?
Porquê alimentar as razões inadaptadas
Os sentimentos impossíveis
Que morrem numa gaveta vazia?
Para quê gastar papel e tinta,
Quando as folhas morrem queimadas?
Para quê ocupar o peito
De nostalgia que me alimenta a saudade?
Para quê amar o impossível
Se o possível está fora do meu alcance?
Pergunto-me porque brilhas
Porque é a pergunta que faço a todas as estrelas.
Pergunto porque brilhas
Porque a distância da luz é o toque da morte.
Já morri quando chegares,
Mas os que morreram antes
Deixaram que eu te encontrasse aqui.
Serão as palavras certas?
Peço desculpa se não forem.
Mas amo-te.
Enquanto o brilho me iluminar
E os outros que ainda vivam
Quando chegares.



11JANEIRO2017

ACORDAR






Acordar...
É acordar de um sonho,
Com tantos "talvez",
Sem exigência
De previsibilidade.
É  o doce do dia
Que me azeda a tristeza,
Porque a tristeza quer-se triste
E eu não sou assim.
Acordar é chegar a casa
De noite.
É abraçar-te e olhar
O ínfimo lugar da tua alma
Pelos teus olhos.
É um beijo pronto
Sem procurar os lábios;
Impulso.
É tão natural
Como acordar.
Não sei falar em lições
Empacotar aprendizagens
Nem alegorias de simplicidade.
É o que é e, apenas isso.
É. É-o.
Somos o preencher
De um espaço vazio,
Que já o deixou de ser há muito.
A sombra da diferença,
É a relatividade do tempo
A experiência da saudade,
O espaço entre o teu peito e o meu!
É o toque.
É a falta desse preconceito infeliz
Que a felicidade é difícil.
É!
É e não é!
Acordar é vida
Sem janelas abertas ou fechadas
Sem paredes ou fronteiras
Sem obstáculos invisíveis
Sem a prepotência da imposição.
Acordar é sentir-te
Seja a que hora for
Mesmo que a noite chegue.
Acordar é,
Esperar por ti,
Mesmo que sozinho
Mesmo que por uma eternidade.
Acordar é fechar os olhos
É ter-te na pele da saudade,
Penetrar-te com um sonho
E beijar-te quando preciso!
Acordar é amar-te
Todos os dias!



11JANEIRO2017



domingo, 1 de janeiro de 2017

QUANDO TE BEIJO







Nem o tempo sabe
Nem a chuva sente
Nem os rios correm
Nem o Sol brilha
Nem as aves voam
Nem os peixes nadam
Nem as crianças choram.
Não só o relógio pára
Quando te beijo.



01JANEIRO2017

QUE TE DIRIA EU?





O que eu te diria
Com a chuva das flores?
O vento, seria fraco
As portadas presas
Fingiriam um esforço.
Desnecessário.
Só te veria passar,
pelo canto do olho
Para que não me visses.
Nem um pestanejar,
Nem um movimento
Que me denunciasse.
Direccionado é o amor.
Nem eu o travo
Salta e voa
E encontra quem procura.
Nada a fazer
No que toca ao amor.
É o brilho das estrelas
Que chega atrasado
Por milhares de anos.
Mas vive
Como eu vivo
Como vivemos
Como nada mais alimenta
Uma fome que se torna sedenta.
E bebo-te os sentidos
As sensações
E todas as equações possíveis.
Que te diria eu?
Que te amo?
Claro que sim!



01JANEIRO2017

PENSEM!





Ok
Agora, vou-me sentar aqui
À vossa frente
A ouvir estes temas que me preenchem
A música preenche.
Oiço tanto mais que ouvia antes
Oiço as letras, devaneios individuais
Mas juntas,
São como eu, dividido nas horas do dia.
Depois,
Passou um ano
De outros cinquenta e tal...
Começo a não querer contá-los.
Não tenho pânicos,
Não é nada disso!
É fugir à monotonia do desespero
Da preocupação e choramingar comuns
De outros que me acusam.
Acusar de quê?
De merdas superfluas
Mimos perdidos e ansiedades.
Falta de... atenção? amizade?
Que tenho eu a ver com isso,
Se já me organizo neste meu labirinto?
Tenham dó!
Pensem na vida real,
Nos chocolates,
No champagne,
No café,
No jornal,
No livro no meio de tantos por ler.
Pensem no mar,
No vento e no clima,
Do frio terrífico
Ao calor insuportável.
Pensem nas crianças famintas,
Nas guerras diabólicas.
pensem em coisas reais!
Porra! Porra! Porra!
Pensem!
Pensem que este ano acaba para muitos
Que começa para mais ainda,
E muda muitos mais!
Pensem que pensar é ser Humano!
Pensem...




01JANEIRO2017