quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

GOTA DE ÁGUA




Se me assaltarem a Alma,
sem razão aparente, 
serei deserto ondulado,
por ventos que já não sopram, 
seco, como pele gretada queimada, 
mas sempre, ponto de partida. 
Os oásis que salvam, 
são miragens onde posso viver sonhos,
acordado, ou por caminhos sem regresso. 
A aridez, é violenta e sádica, 
sem misericórdia às possível dúvidas
caminhos que não sei onde começam, 
que não sei onde acabam. 
Basta um pouco de vida. 
Basta o ínfimo numero possível, 
logo o milagre (re)acontece. 
A gota de água, 
todos os processos químicos 
imagináveis na viagem da gota de água.
A minha salvação.
Previamente desiludida,
 
esta capacidade  que prova,
a eficácia e o poder do ínfimo.
A simplicidade!

"Elevada" ao mínimo possível, 
o que nos salva...
Os elementos, são agrestes, 

alimentam-se do mal alheio e, 
à mais fraca reacção e resistência,
é determinante a preguiça de Deus.
Alucinante é a fraqueza metafísica,
misturada com a força do mistério.
Basta uma gota de água. 

E a vida (re)nasce!

31DEZEMBRO2014

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

SINTO MUITO...


Sabes o que sinto?
Já não sinto nada.
Sinto aquilo que sabes,
que sei tu não sentes.
Sentir o que senti,
foi sentir o máximo.
Tudo o que poderia sentir.
Mas já não sinto!
Fizeste perder o que senti.
Mas sinto,
Sinto uma coisa leve,
se pensar no que sentes.
Se voltar a sentir,
será sentir pouco,
do muito que senti.
Sentir o futuro,
será outro sentimento, 
o medo do que senti.
Sentir, claro que sinto.
Sinto pena do que senti,
Sinto pena de ti!
Sinto muito...

22DEZEMBRO2014

domingo, 21 de dezembro de 2014

RENITÊNCIA




Não me esqueço fácilmente.
Nem só a retina retém imagens,
Preferenciais, banais e, outras
Que arquivo na memória.
Fico louco, desde a histeria da vitória,
Ao paladar de amar o Mundo.
Preciso de ar, de
Respirar.
Preciso de água, de
Saciar a sede.
Preciso de alimento, de
Manter o corpo.
Falta-me ser deslumbre e,
Hipocondríaco do amor.
Não quero metades.
Não desisto.
Luto sempre até ao fim.
Prefiro o meu sorriso,
Quando me apercebo da falta,
Quando me perco por cegueira.
Não desisto!
Há um Eu permanente,
Há um desejo ardente e, sou
Renitente na Felicidade.
Quero harmonia!
Quero a vossa alegria!
A Felicidade no Mundo!
Se só eu sei,
Que não é pedir muito?!
Renascer é renitência.

21DEZEMBRO2014

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O VOO DOS PÁSSAROS





É nos jardins que caço.
Perseguir pássaros.
Um olhar, ligeiro,
O cheiro do poder.
Caçar um pássaro.
Caçar um voo fantástico.
Não é preciso matar.
Apenas caçar, olhando.
Troquei a realidade,
O pássaro e, eu.
Apenas os dois,
Isolados, o vácuo,
Um mundo, nosso, virtual.
Ficaram rastos,
Os encalços, os desvios.
Mudanças de rumo,
A liberdade do voo.
Gravei os rastos. Todos.
Fica uma linha néon,
Sem parasitas por perto,
Sem motivos de fundo.
O eu e o breu,
O espaço e os pássaros.
Desenhos, abstratos,
Loucos,
Voos loucos.
Esboços pintados a néon.
Descontinuei os rastos,
Alternei as cores,
E soprei.
Soprei como louco,
Até me faltar o fôlego.
É divino sentir.
O bater das asas.
O poder da liberdade.
O rumo próprio.
Preencher uma tela,
Virtual, com cores.
Néons virtuais, tão reais.
Acordar com um beijo.
O beijo do pássaro.
Acordei. Acho...
Serei eu livre,
Sempre e enquanto,
Puder sonhar assim.


18DEZEMBRO2014

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

DEPOIS DO AMOR




Senti os lençóis vazios,
frios, tão frios sem a tua pele.
Está calor,
uma cama vazia.
Há a falta.
O abraço que foi,
depois do amor,
a última piada,
o último riso.
O encaixe do abraço,
a mão no teu seio,
um "amo-te",
um último beijo,
um "até já".
O quarto estava quente.
e adormeci com frio!

16DEZEMBRO2014

domingo, 14 de dezembro de 2014

DAR TUDO



Ser natural.
Chegar ao ínfimo local
Ao mais íntimo dos íntimos
Lugares do meu corpo.
Ser o meu interior.
Ser especial.
Não me fica bem,
Não chega a nada.
Ser Homem.
A Humanidade doente
O amor está fragilizado
O Mundo precisa!
Ser vivo tem uma obrigação,
Depois das fases inconscientes,
Ser natural, ser especial e,
Ser Homem consciente,
Pelo Mundo que sobrevive,
Que precisa sobreviver,
com amor!
Amor a todas as coisas,
Amor a todas as pessoas,
Amor a tudo o que está vivo.
Eu,
Estou vivo! E amo!
Tudo!
Não quero nada!
Dou-vos tudo!
Tudo...


14DEZEMBRO2014

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O LADO MAIS LONGO




A soma  dos catetos,
a minha hipotenusa.
A matemática,
a linguagem da vida.
Estou em fogo,
entre o aquecimento
do Sol e do cérebro.
As imagens são deliciosas,
animalescas, vorazes,
sintetizadas e antagónicas.
Preciso de pólos diferentes,
que não se toquem mas,
sejam interligados por mim.
Nada se perde,
nada se cria, tudo...
Transformo-me aos poucos.
A distância mais longa,
o somatório da proximidade.
Afasto-me.
A alma fica, o corpo parte.
Os passos, as distâncias,
o que interpreto a partir de nada,
o ponto essencial.
Um dos pontos essenciais.
O poço, a influência do princípio,
a iniciação voluntária,
uma inflexibilidade crónica.
Tem toda a razão de ser,
não acontece por acaso.
Despoleta como uma granada,
explode sem mutilação visível,
mas mutila, desmembra e dói.
Perco as asas, não de anjo,
que em tempos tive.
Apesar de tudo, há a felicidade!
Tão intensa e real,
que perco todos os medos.
Não tenho medo de nada.
Apenas de uma ou duas coisas...
O caminho mais curto e,
perder a sensibilidade na arte.
Tudo o resto...
Triângulos rectângulos,
elevados às somas dos lados,
a minha hipotenusa.
O meu lado mais longo,
é a soma de carácter
de todos os meus lados.

10DEZEMBRO2014

sábado, 6 de dezembro de 2014

AMAR NINGUÉM !




Aprendi que as flores são tímidas.
Como os muros que me abraçam,
apesar da ilusão da sua inércia.
A vida existe em tudo. Aprendi isso.
Mesmo transformando a realidade,
com estes rasgos de poesia pobre,
sinto a matéria simples e incorporada.
O beijo do vidro, que separa
a ilusão da inexistência, o toque,
a fronteira invisível do meu mundo.
Do nosso mundo, de um planeta
individualizado no meu mundo,
em vários (meus) mundos, secundários,
paralelos, imaginários e eficientes.
Os sentidos práticos do corpo humano,
sensores de tanta diversidade, inatos,
sincronizados com a percepção da diferença,
pela vontade do desagrado e do deleite.
Quando sinto, já é passado. Já foi presente.
É impossível alterar qualquer resultado!
Com força de vontade. Com perseverança.
Com objectivos, sem orgulhos, apenas porque sim.
Quero sentir as coisas imóveis, inodoras ou irrelevantes,
improvisar o sentimento, de dentro para fora.
O corpo imaterial, condicionado a um envólucro,
é tudo o que sinto, sem sentir o tacto, a visão,
o cheiro. O que me altera o sistema nervoso,
é o algo estranho, o não sei o quê, a alma,
o pensamento, o tormento, a alegria,
a felicidade, o amor, tudo, tudo, tudo!
É assim que me admiro, amando a natureza.
O que parece simples, o que é fácil de tocar,
de cheirar, de tactear. E um beijo...
Dois pares de lábios que provocam
um vulcão de sensações internas,
estranhas, medonhas, fantásticas.
Tudo, tudo, tudo o que não vejo,
Mas sinto dentro de mim. E o amor...
A sensação mais maravilhosa
com toda a sua tortura.
A dor que não se sente, que doi.
Tanto, tanto, tanto!
As "elas" que foram e que são.
Que recuso, mesmo sendo.
Só posso amar o sangue, o sangue do meu sangue,
sem ser infectado por essa dor imunda,
penosamente maravilhosa. Só o sangue!
Não quero amar. Ninguém!
Chega-me o futuro.
Apaguem o ontem, levem o hoje.
Venha o amanha urgentemente!


06DEZEMBRO2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A VERDADE




Existe tanta verdade na vida!
Mesmo! Digo-o veementemente!
Tanto risco. Tanta vontade.
Quando saio de uma exposição de arte,
há um retrocesso na minha interpretação.
Interpretação da vida, perceba-se!
A arte é realmente um objectivo,
uma forma de justificar a existência,
elevando-a a um estado que devia ser.
Permanentemente o objectivo Arte!
A vida, elevada à Beleza interpretativa.
Kiefer. Alucinante forma de pensar.
Ou não tanto, identifico-me,
não como alucinado (acho?!),
mas interpreto a mesma dúvida,
no que vi, e aqui, nesta forma humilde.
Sem mestrado, reconhecimento,
merecimento, que se dane o porquê!
Mas tenho o poder da crítica.
Todos temos, mesmo com ignorância.
Há um resumo filtrado no final.
Ao ver Moroni e Kiefer,
no mesmo dia, os extremos tocam-se.
Renascimento e contemporâneo.
O bom e o excelente! Excel(ência)
de pensamentos egoístas de bons.
Qual deles o bom, qual deles o excelente...
E eu. É esta a minha a dádiva.
Fascinado, pensador,
crítico interno, ignorante e feliz.
Repensar a verdade na vida.
O auge, o topo da pirâmide,
o ascendente dos Deuses,
a Arte e a genialidade criativa.
Há dias de felicidade flutuante.
Há dias em que se toca as estrelas,
num fechar de olhos, ou num sorriso.
Hoje toquei as estrelas, de novo.
É esta a minha eficaz felicidade!
É esta a finalidade da vida!

01DEZEMBRO2014

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

A PROVA DE TODAS AS DÚVIDAS



Não sei como medir o que sinto.
Há uma área de decisão imperativa,
tão simples que complica o resultado.
Há um comprimento de folhas,
tão imenso e resumido que, acaba
por ser um infinito de palavras presas,
ainda presas, que apenas eu conheço.
A recusa desafia o que é natural.
A potencialidade da vida é vasta,
isolando o negativismo que me rodeia.
Só posso amar sendo amado.
Só posso sonhar, livre de pesadelos.
A vida tem de correr simples, fluída e feliz.
Porquê estas muralhas que me atormentam?
Para quê estes desafios que aparecem,
de um nada, que não devia acontecer?
O ênfase e ânimo da procura, é vasto.
É a liberdade assumida na felicidade.
Não posso condicionar a felicidade!
Todas as divisórias, as gavetas,
os centros de arquivo das pequenas partes,
têm de crescer naturalmente e,
tornarem-se maiores e acumuladas.
O sentimento mais fantástico da vida,
torna-se um empecilho cruel, céptico,
censurável e destruidor da conquista.
Conquistar a vida não é viver,
viver, é acordar feliz e sorridente,
é pensar que a maioria das dificuldades
são o "sim", muitos "sim" tão naturais,
sobrepostos a todos os "não" evitáveis.
Não estou doente (acho!).
Não estou infeliz, por narrativas estranhas,
como esta, que nem mensagem negativa o é!
Apenas penso nos porquês, apenas isso.
Apenas porque penso muito sobre tudo.
Há esta "doença" de pensar em demasia,
entender a razão, tentar todos os porquês.
Viver não é uma ciência, mas uma atracção
a todas as ciências que, por necessidade,
me dá impulso a procurar respostas.
Respostas impossíveis de alcançar.
Os sentimentos são exemplos da fragilidade.
A vida é a ida e a volta de tantos porquês.
A resposta, é alquímia e mágica,
é a ilusão e conquista do estágio superior.
Se a alma falasse comigo, se a entendesse,
há muito que saberia as resposta que não sei.
Todas as minhas equações, iniciadas, inacabadas...
Mas isto, isto mesmo que aqui se lê,
isto que aqui escrevo, é a minha essência e,
a grande proporção que em mim transformo,
ou em pedaços, ou em estágios de pura felicidade.
O que parece, pode não o ser.
O amor, pode não ser amar.
Estar aqui é a prova de todas as dúvidas.


28NOVEMBRO2014

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

ARRUMAR O SOL




Tudo resulta em bem,
quando a vontade precisa.
Esfomeado de palavras,
que até podem ser gestos,
que até podem ser beijos.
Sofreguidão de amor?
Lá bem no fundo...
O que é o amor?
Quantos tipos de amor?
Quantos géneros de amor?
Um tempo de silêncio,
calma que me beije a alma.
Alimento que pouco provo,
por má digestão de silêncios,
mas só e sempre, maus silêncios.
O silêncio varia, não é igual
o bom, traz um poder, que sei ter,
onde adormeço sem adormecer,
onde vivo sem saber viver.
Tudo flutua numa auréola de calma.
Arrumar as ideias, os juízos,
os sentimentos. os desejos,
os objectivos e as conclusões.
Arrumar-me!

Sinto-me bem assim, comigo.
Admirados com a facilidade
e com a franqueza da minha atitude?
Nada disto impede a tristeza,
o desapontamento, tanta coisa.
Teoricamente, a lógica poderia resultar.
A conclusão é simples e natural.
Tal como um rio, uma derrocada,
uma tempestade, uma restrita violência.
Os obstáculos, mesmo emotivos,
são ultrapassados com certa facilidade.
O silêncio limpa o arquivo, as memórias,
o óbvio que resolvi não acreditar.
Arrumei-me!

O miserável resultado é o receio futurista,
a falta de reacreditar, o medo da repetição.
É clínico o diagnóstico, eu sei.
Um trauma que já venho evitando com o tempo.
Uma previsão que se torna natural,
o sentimento estranho da desconfiança,
e aqui prevalece a luta pela realidade.
Nada se perde na aprendizagem.
A noite pode trazer-me sombras,
O Sol, traz sempre o acreditar!
Arrumado!

27NOVEMBRO2014

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A COR DA FELICIDADE



Eventualmente preferia uma vida sem cicatrízes.
Todas as coisas que fundamentam a existência,
são tão estranhas, como estranhos são os resultados.
Mas nem sempre. Claro que há o contrapeso,
onde a balança da vida regula, os pólos opostos.
Sem falar em doença ou saúde, em bem ou mal,
apetece-me só sentir os patamares da felicidade.
Há os genes, dizem. Há as origens, redizem. Há...
Não tenho ascendência com "pedigree".Sou o Eu.
A minha felicidade é contraditória por ser humano.
Este animal superior na escala das espécies, pena
como penam as dores que chegam e partem. Assim!
Claro que fica a memória, que manípula os inconscientes.
O sonho, desejado, pelas viagens que não fazemos,
tem receio do outro lado das interpretações inconsistentes.
O pesadelo, indesejado, sempre por cicatrizes internas,
é o prolongamento do que não quisemos sofrer.
Tudo é inato, apesar de todas as transformações,
além do resultado de aprendizagens ora obcecadas, ora más.
É por isso que mudo o amor, sem o perder.
Transformo o medo em coragem, o choro em riso,
o inconformismo em atitude e, muito mais que isto somado.
Ser humano condiciona a decisão pelo factor simples
de ter a opção ou imposição de a tomar. É duro!
Apesar de tudo, esta dureza é uma dureza maleável,
por todas as permissas que preenchem a felicidade.
Ser feliz, é conquistar, compassadamente o futuro.
Ser feliz, é remendar o que está gasto, é dar cor.
Todos os passos e fases que aumentam o volume,
o numérico hipotético do alcance total, é a cor.
A cor que quero dar à vida. Metafórica, real. Tudo!
Tudo tem uma cor própria. Alterada quase sempre.
Para já mantenho-me nas cores de base. Porque sim.
Amanhã, começo a mistura de todos os tons possíveis,
sei de antemão que a cor ideal nunca aparecerá,
mas a alegria em recriar cores novas, é o segredo,
hipotético e subjectivo, do meu encontro com a felicidade.


25NOVEMBRO2014 

domingo, 23 de novembro de 2014

DORME BEM!





Sentado à beira da cama,
imagino-te, pequena,
esse sorriso lindo.
Este aperto bom no peito.
O sono, uma história para ler,
a que não querias,
a que pedes sempre.
Essa pele de veludo, esse cheiro
de filha que é só meu.
E o riso, o abraço, o beijo,
imagino tudo, como era,
sentado à beira da cama.
O livro, aberto,
uma página qualquer.
O consolo da memória,
a penitência da saudade,
a aquela lágrima teimosa
que sempre acaba por me irritar.
Sinto sempre o teu cheiro, filha,
os lençóis enrugados,
o edredon entalado às beiras da cama.
O sono, chega e sela o dia,
um beijo na face, um último cheiro,
uma última festa. Tanta coisa...
É hora de guardar os óculos,
fechar o livro, olhar os lençóis,
vazios, sem te ter, e fingir,
como finjo todos os dias,
que te deixo este beijo
e sempre te sussuro,
"amo-te".
Dorme bem!


23NOVEMBRO2014

QUE FIQUE CLARO




Quero que fique claro,
perante todas as indisposições,
que a minha vida é um privilégio.
O colapso das amizades, existindo,
não tem nada a ver comigo.
Quero que fique claro,
que sou quem sou. Eu mesmo.
O eremita interiorizado num crâneo,
teimoso e isolado, com as faltas dos outros.
Talvez as faltas dos outros,
sejam a originem das minhas faltas.
Será que tenho faltas?
Porque não ter o orgulhoso de tantos?!
A maior parte tem esse "dom"!
Se eu falhar, rio-me. Gargalho.
Talvez um nervoso trémulo,
uma transparência ou fragilidade
que só eu controlo no peito.
Fica sempre claro,
uma atitude de não violência,
oposta e recusa permanente a ódios,
mas tão honesta como a tempestade.
Uma qualquer tempestade.
Não de copos de água, como prevaricam
as almas que sofrem de fragilidade.
Os carimbos com que me identificam,
são tão falsos como nevoeiros,
que apesar de densos, nunca,
mas nunca conseguem tapar a realidade.
Quero que fique claro,
que escrever é um acto de amor.
Eu amo-me com esta dor,
que não é dor, mas não deixa de o ser.
É um vício fidedigno ao meu Ego,
amante profundo e desinibido,
em orgias constantes com a minha alma.
São géneros, são o climax que só eu entendo.
Gostai, ou odiai, ou criticai, ou ignorai!
Tanto se me dá, como se me deu.
Fica claro, branco como a cor
que no fundo não é cor alguma,
que me sinto possesso por mim,
por todas as sombras que não controlo,
 por todas as "dores" interiores, as que me torturam,
e por toda a felicidade que nada nem ninguém,
consegue derrubar. É claro que amo tudo! Quase todos.
Que fique claro que amo muito.
Que fique claro que quando partir deste mundo,
ficará enrijado um sorriso na face,
que ninguém conseguirá apagar.
Que fique claro que acabei de ter um orgasmo,
que me vim com esta folha de papel,
e que nada me tira o prazer deste sexo interior.
Escrever é este prazer que não vos conto.
Que fique claro!
Que fique claro!


23NOVEMBRO2014

sábado, 22 de novembro de 2014

SER SOMBRA




Desconfio da noite.
As sombras.
Tenho uma atracção
que não entendo, pelas sombras.
De dia, menos sinistras,
o moldar do corpo é diferente.
A sombra é o desabafo do corpo.
É a forma de fugir à regra,
correr à frente de nós,
retorcer o que os anos criaram,
com a postura do quase perfeito.
É a manifestação abstrata
que mexe comigo. Adoro o gozo.
Este gozo recriado em movimento.
À noite, tornam-se pardas,
felinas e por alguma razão
incontroláveis e obscuras.
Fica um mistério no contraste,
os ecos, as ruas, a luz...
Só falo da fuga do corpo,
pelo próprio corpo em si.
Às vezes, ser sombra,
devia ser a única existência.

22NOVEMBRO2014

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

À ESPERA DE ...




É estranho esperar.
Esta perda de tempo que,
me viola a inteligência.

À espera de quê?
Um dia tudo será límpido.
A natureza, virgem,
onde se complementa,
a naturalidade dos dias,
a sobreposição das noites.
Nascer e renascer. A morte.
Só é tabú falar da morte.

À espera de quem?
Um dia todos nós estaremos sós.
A sensação de solidão.
A que se quer e procura,
versus a outra. A indesejada.
A solidão "que não existe". A real.
O retiro teórico do zen.
A realidade futura a que dizemos não.
O acordar um dia. De repente.
A falta de alguém.
A companhia que perdemos,
as frases que não dissemos,
os mimos que não trocámos.
O tal ganho de independência.
A dependência do vazio.
A imagem feliz do dia,
o choro real da noite.

À espera de quando?
A vida, é o tempo mais curto do tempo.
Desperdiçar o amor pelo egoísmo,
as emoções insubstituíveis, trocadas
por um conjunto de paradoxos, que,
não têm de deixar de existir(!).
O tal vazio, o vazio diferente
de todos os vazios a que fugimos.
O real vazio do fim do dia.
As dores que doem mas não doem.
As dores que o corpo transporta,
lá dentro, inertes e sem dor específica.

Tudo isto é ignorância!
Não sei o porquê de ficar à espera.
De quê. De quem. E de quando!

19NOVEMBRO2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

BEIJA-ME!




Não digas nada.
Lembra-te dos dedos.
Das mãos que tocaram,
horas a fio, esse corpo nú.
Arrepiada a pele,
só os lábios a demovem,
de um colapso vazio.
Os beijos,
milhares de beijos,
e o silêncio divíno.
Fomos Deuses.
Fomos poesia, fomos música.
Só os olhos falaram.
E tanto. Ó Deus, tanto.
Foi o penetrar-te,
como quem rasga os céus,
numa viagem maravilhosa.
Foi o clímax efémero,
com sabor da eternidade.
As estrelas.
As estrelas estavam presentes.
Brilharam intensas,
com a loucura do fim.
Tantos fins.
Finais ilimitados,
que nem o tempo travou.
Os beijos.
Não digas nada.
Não fales dos beijos.
Sente outra vez!
Fecha os olhos e,
beija-me!
Não digas nada!
Não quero ouvir mais nada.
Beija-me!

18NOVEMBRO2014

ENFIM, SÓ



Enfim, só.
Absoluto.
Absurdo.
Pináculo delicioso.
Lá bem no alto,
Sem queda.
O ar rarefeito.
Puro e pesado.
Fresco.
Frio e doce.
O cume das núvens.
Macias,
Eternas.
Sem fim.
Sem solidão.
Boa sensação.
Ir e vir.
Sonhar.
Viver e arte.
Amar!
Todas as artes,
De viver e,
Tudo e,
Todos.
Até a mim!
Enfim,
Só.

18NOVEMBRO2014

domingo, 16 de novembro de 2014

APENAS EU



EU e o mar.

Sentado, cabeça vazia,
Regresso de cheiros,
Do toque da onda morta,

Este meu mar.

Apetece-me ficar aqui indefinidamente.
O cheiro, a cor, o som.
Nada de comodismo,
Areia e mar.

E o Sol,
Claro está.
E o Sol.

É este o movimento,
Que me faz sentir assim.
O fim do dia,
A mudança das cores,
Calma,
Descompressão e o breu.

Um breu poético,
A natureza poetiza os elementos.

Vejo a vida por partes.
A imensidão do mar,
Quase infinito.
O real infinito do céu,
Repintado com diamantes,
Brilhantes, longínquos, distantes,
Para lá de um normal imaginário.

O som que acompanha a visão,
Uma espécie de mistura de estúdio,
Suave, lenta e técnicamente perfeita.

O horizonte. Os antípodas
Que sei existem, como todo o resto.
Harmonia com a vida, peculiar.

Sinto-me enraizar na areia,
Que já foi rocha,
Violada por um mar bravo,
Que a ama tanto que, a transforma.

O poder celeste, uma Lua intensa,
Imparável e acutilante.
O beijo da maré.

São horas assim, seguidas.

No final,
Tudo se resume a um punhado de areia.
Tudo se transforma em pó,
Como eu,
De onde venho,
Para onde vou.

Esta sensação de solidão,
É tão íntegra que,
Me dá a paz que não tenho tido.

E é o mar, e é o amar,
E apenas Eu.

16NOVEMBRO2014


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

IMUNDA HUMANIDADE




Cresci com ânsia de ser criança.
Ficar igual a um Eu de mim próprio,
retornar ao pequeno corpo.
Manter a inocência que disfarcei,
querer viver um sonho que fiz real.
Mas não me percebo sem desespero.
A vida é este paladar,
um doce apodrecido permanente,
que me atrevo a alterar de sabor,
para não me fartar do mesmo prato.
Nem eu sei o que deveria ser o Mundo.
No fundo a utopia da ingenuidade,
é um contracenso de valores.
Sem aculturar a vida,
todos os erros se repetem indefinitivamente.
Só sendo criança quanto baste.
Só recolhendo o corpo fetalmente,
será fuga à cobardia dos problemas.
Pensando assim, já não sei qual a vertente
que um dia poderei aconselhar. Não sei!
Somos todos como uma seara,
ondulamos conforme a direcção do vento.
Um dia penso que quero e tenho,
outro dia penso que não consigo nada,
a tentação de desistência é terrível.
Mas é aí que surgem as crianças.
As verdadeiras crianças,
as que ainda vivem no prazo.
Pensar nelas, no amor a elas,
no finalizar a fome, a dor evitável.
A Luz de um sorriso puro,
o toque doce do veludo dos dedos,
o amor incrívelmente enorme,
que tenho aos meus sobrinhos...
E assim me doi a pobreza de tantos.
O Inferno miserável das mães,
o não saber porquê! O meu ódio.
É este o meu ódio ao Mundo.
Nunca serei feliz de verdade!
Só por saber de uma criança,
de um milhão de crianças,
de tantas crianças inocentes,
de nem imaginar quantas,
continuarem condenadas,
sem perceber o privilégio da vida.
Odeio a Humanidade!

13NOVEMBRO2014

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O SOMATÓRIO DO AMOR




O somatório do amor.
Uma equação viva e pertinente,
com a inteligência apadrinhada.
O desagravo é individual.
Não há nada para além do amor.
Nem a morte o separa.
A memória, a saudade,
o filme do passado. Aqui!
Moribundo é o vazio.
Flagelado é o esquecido.
A ingratidão mora perto,
basta o influxo do nada.
O somatório do amor,
é a conquista do prazer.
O paraíso imediato.

Serei indóneo a tudo,
ou viverei noutro mundo.
Uma alternativa agradável.
Olhar os que amo lá do alto,
lá de baixo, onde for.
Tudo o que está acima,
é como tudo o que está abaixo.
Uma consciência divina,
uma faculdade eterna
que circula na consciência humana.
Nem a morte apaga o amor.
Tudo se transforma em Sabedoria,
transporte de almas e corpos.
É esta a lei da vibração,
onde tudo se move e tudo vibra,
pela loucura da existência.
Eis o somatório do amor.


11NOVEMBRO2014

domingo, 9 de novembro de 2014

CAFÉ DA MANHÃ




Sinto-me abençoado,
com coisas simples.
O café da manhã,
o cheiro,
o esfumaçar.
Prazer.
O primeiro golo,
quente,
negro,
forte.
O aquecer as mãos,
uma simples chávena.
A montra da loja.
A chuva
que cai lá fora.
Imagens retorcidas,
gotejos errantes,
descoordenados,
vivos.
Um sorriso,
inato,
o desdém do vazio.
Pensamentos.
Uma preguiça enorme.
O jornal,
notícias menos boas.
Outra página.
Sempre um virar de páginas.
Uma porta,
um sino que toca,
leve,
muito leve.
Alguém.
Uma face,
feminina,
outro sorriso,
um sopro de ar fresco.
Páro.
Páro tudo...
E penso em ti!


09NOVEMBRO2014

LÁ FORA O VENTO




Acordei a ouvir o vento.
É bom ouvir os elementos,
com um vidro pelo meio.
A chuva, o vento,
forças vivas,
que acordam o corpo.
A moleza da separação,
um ânimo agradável,
imaginada a pele arrepiada,
que não sinto, mas sinto.
É bom ver a tempestade!
E não me toca.

09NOVEMBRO2014

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

PAZ E SILÊNCIO




Saborear-te.
Saber-te arte.
Musicar-te.
Ouvir-te vida.
Ou alegorias,
e metáforas,
e adjectivos,
que te elevem,
que te condenem.
Só um espaço!
Um sentimento,
o inexplicável.
Chamam-lhe Amor.
Um esquecimento,
o que tento,
o que insisto.
A frieza do não.
Não posso!
Não quero,
o que quero.
Mentir-me!
Subjectivar-me,
até que me apaixone.
Paz e silêncio,
fico aqui.
Não paro.


07NOVEMBRO2014

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

FOLHAS E PELE




Chamem-me romântico,
chamem-me o que quiserem.
Podem até distorcer o adjectivo,
igualando-me a pouco.
Pouco me importa!
Há estes pequenos momentos,
um pequeno recanto,
uma dose boa de silêncio citadino.
Um esquilo hiperactivo,
a dar as ultimas corridas,
em hibernação premeditada.
Às vezes é o que me apetece.
Hibernar da vida, por uns tempos.
Mas há o complemento da Beleza.
Um pouco de felicidade por pitadas,
como um tempero ancestral,
que alimenta e regozija qualquer Alma.
As que sentem a simplicidade!
E é isto. Um pouco de pouco,
que muito me satisfaz o fim do dia.
As folhas de Outono,
os milhentos quadros imagináveis,
enquadrados em hipotéticas molduras,
e o silêncio que os completa.
As folhas são como a nossa pele.
Nelas apenas os tons esmorecem,
competindo com o enrugar do corpo.
Até nisto a natureza é mais bonita.
São momentos estúpidos,
como a estupidez de tantos outros,
noutros lugares, com outros povos,
talvez ainda mais estupidos que eu.
Mas é a cor que me faz e torna vivo.
A que crio, a que vejo, a que fujo,
a que admiro, a que procuro.
Preciso de toda a cor do Mundo.

05NOVEMBRO2014

terça-feira, 4 de novembro de 2014

O PAPEL




Trabalhei até tarde,
com esta fobia estúpida da vida.
Chegar a casa,
tem um sabor a pouco.
Muito perto de um sabor a nada.
Mas tem este recanto.
O cheiro intenso a papel.
As dezenas de livros,
ao alcance das mãos.
A sebenta pouco virgem,
que desfloro lentamente.
Como hoje,
como agora,
é instinto de fuga,
de tudo o que fugiu,
de tudo o que foge.
É o abstrato que me chama,
o símbolo da letra,
o puzzle da palavra,
o labirinto do poema.
Este é o ponto.
Acabei o dia.
Quero retornar ao branco.
Talvez pense demais,
mas é o que sinto.


04NOVEMBRO2014

É BOM ACORDAR




É duro reviver os dias.
É duro acordar só pelo acto.
Um limbo embaciado,
esta transição do sonho
para uma realidade obrigatória.
Mas sorrio com o Sol.
Hoje há um sorriso lá fora
à espera que o possua.

O calor na pele,
não é vaidade procurada,
é um espaço preenchido
por esta energia boa
que me invade o quarto.

Fico a olhar um espaço vazio,
sem pensar em nada.

Gosto de ver as estrelas
que só os antípodas vêm a esta hora.
Cerrando os olhos por completo.
Com uma força controlada.

O mar faz-me falta.
Cheiro-o por inteligência,
por necessidade fictícia.
Mas cheiro-o. Na forma que o amo.

Sensorialmente, é um previlégio
usar as sensações anteriores,
gerindo a vontade imediata.
É assim que funciona a saudade.
É assim que fujo a outras coisas,
que de coisas têm pouco,
senão mesmo nada.

É duro reviver alguns dias,
mas acordar é um acto feliz.
Um passo entre o limbo e a coragem,
um abrir e fechar de olhos.

Vou domesticar o Sol,
inverter as sombras da noite,
alimentando o meu corpo
com os desejos que a Alma quer!

Hoje vai ser um bom dia!

É bom acordar!

04NOVEMBRO2014


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

COINCIDÊNCIAS




A coincidência é o acto.
Procurar é fugir à redoma.
Todas as redomas têm o brilho,
de uma fragilidade fictícia,
adocicada, por mentiras protectivas.
Mas fica bem!
É um trabalho exímio,
é uma realidade aparente,
que se sente por defeito.
É uma postura quase imaculada.
Não vale nada,
mas é bonito.
Coincidências são ambíguas.
Resultados de procura,
resultados de fuga,
resultados de tanta coisa,
e de coisa nenhuma.
Apenas acontecem.
Estar aqui, vivo
activo e desembrulhado,
passa de uma coincidência.
É um facto!


03NOVEMBRO2014

domingo, 2 de novembro de 2014

ACHEI QUE SIM!




Um dia, 
a felicidade! 
Achei que sim!
Uns anos depois, 
a felicidade.
Estranhei-a! 
Sei que existe! 
Eu sei! 
Já tive tantas.
Só quero uma!
Humilde, sincera,

E minha!
A tua!


02NOVEMBRO2014

APENAS UM POEMA



Pois até diria que sim;
Até me olhava a um espelho,
desfalecida a sombra do dia,
deixava que a pele se decidisse.
O tento do frio;
a forma da perda,
um brilho de água.
Uma gárgula falsa,
encantadoramente horrorosa.
Uma Lua por encher,
já quase cheia.
Um raio por aquecer,
e... talvez nós!
A pureza da alegria,
ou a alegoria da surpresa só.
A que sonho,
verdadeira, pura e simples.
Um poema!
Um só poema.
Apenas um poema.
Se é meu,
tu o saberás no fim.
Poderá ser teu...
Nada escrevo que não saibas.
Inventa!
Defende-te num vazio,
que será nosso,
ou algo que não existe.
Culpa-me!
Culpa-me com a frieza,
de todas as tuas fraquezas.
Eu amo-te.
E assim,
nada me condena!

02NOVEMBRO2014

PORQUE SEI!



Se eu soubesse da vida...
Da vossa vida!
A minha, é sempre criticável.
Nunca é feita de lógica.
Talvez um "mas" no meio.
Ramificar a pura simplicidade.
Tenho de regar, de plantar,
de "whatever"!
Sinto-me tão irrealista!
Se me tocar, nem pele sinto.
Sinto uma obrigatoriedade.
Imperfeitamente complicada.
Só o som do vento me anima!
Só o som da água me aflige.
Até podia dizer, que amo...
Até!
Até podia.
Sim!
Só a lista impressionista me afoga.
O amo isto,
o faço aquilo.
É tudo um nada!
Porque sou tudo.
E quero mostrar ao povo,
as ideologias prematuras.
As irrealidades alternativas.
Um comunismo caviar!
E parto daqui.
Porque sei mesmo da vida!


02NOVEMBRO2014

TERTULIA LÍQUIDA



Bebi um copo!
Mais propriamente,
bebi um líquido,
com que o copo,
de forma estranha,
me ofereceu.
E fiquei bem!
Com vários copos.
Ou seja.
Com vários líquidos,
apesar de serem os mesmos,
mas do mesmo copo.
Parafraseando,
bebi bem e sorri.
Fiquei feliz,
até porque beber um copo,
dá esse efeito.
Mesmo não sendo,
ou sendo acérrimo,
fiquei feliz por isso mesmo.
O copo,
coitado do objecto,
é que se sujeita a estas merdices.
Vulgarizar uma arte,
uma invenção ancestral,
que alguém se lembrou,
queimou, e soprou,
e agora, usamos.
Foi o tal fogo, a areia e o ar.
Só a água faltou,
aos elementos.
Por isso, à falta de água,
te uso e abuso meu copo
com um líquido mágico,
um qualquer, que me troque o passo.
Isto não é poesia,
é tertúlia, com o meu copo.

02NOVEMBRO2014

sábado, 1 de novembro de 2014

SEM LIMITE




Abraçando o limite,
com uma linha separadora,
de um muro amolecido.
Uma vontade intransigente.
Um abraço.
Tudo parte de um abraço.
O que me limita, é o vácuo.
Há muros inerentes.
Não sei a quê, mas há!
Nunca se separam,
indultos por indução.
Como amo eu o Mundo.
Ó meu Deus como amo tudo!
Até a inexistência do amor.
Mas amo.
Sei que nasci para amar!
Estou indistinto com a vida.
Se individualiza-se,
prometeria o que não existe.
E isso não posso.
Sou pomposamente imperfeito.
O meu sermão é predispor,
é inidóneo de uma glória inexistente.
Só o limite me sustém.
Sem limite. Sem disposição,
sem sustentáculo ejaculável,
de uma perfeição sonhadora.
Caí numa vida alcantilada.
Só a discórdia comigo próprio,
me aproxima da exaustão imaculada.
E fico. Aqui. Absorto em mim.
Sem chauvinismo algum.
Realista com a vida que tenho.
Optimista com a vida que quero.
Á tua espera todos os dias,
até só por um simples facto...
Não sei viver sem amar.

01NOVEMBRO2014

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

CORPO CHEIO




Inocência...
Insustentável,
toda a leveza.
Habilidade.
Bom senso aturável,
em noite de Lua fria,
cheia de um cinzento,
quase impenetrável.
Silêncio.
Sim o silêncio.
Penetrar
o bom silêncio.
Inocente,
desejado.
A pele.
Os dedos,
e a boca.
O sexo.
Muito sexo.
Silêncio.
Suores.
Murmúrios,
a abafada loucura.
Liberdade.
Toda a Liberdade!
Alma farta,
corpo cheio,
de mim.

30OUTUBRO2014

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

ACABADA A MODORRA




Viver entre quatro paredes,
uma sala, um quarto, um raio
partido aos bocados, e Eu.
Já é tempo de abrir portas.
Entregar as janelas ao Sol,
abrir as portadas, animar a vida,
numa parede caiada e quente
que possa reflectir a demasia.
Deixar entrar o ar e a vida!
Seguir rumo sem naufrágios.
Há um raio deste Sol,
que se aproxima. Que me anima.
Sózinho não é importante,
depois de toda a solidão,
é tempo de recuperar o sorriso.
Na verdade, nem me conheço.
Na verdade, nem me percebo.
Na verdade, só quero vida.
Para quê manter o que tenho,
sem oferecer o que posso?
Pernitentemente porquê?!
Questionável comportamento,
quando é tão fácil o simples.
Amar é o grande paradigma.
As paredes desta nova casa,
estão a ser (de novo) pintadas,
com as cores novasdo futuro,
com a nova aragem da paixão,
com um novo sopro de ar.
De Imediato!
Será bem vinda a felicidade.
Paciência já não é sinónimo,
já não é sujeito nem predicado,
nem tão pouco desperdício.
Pois virá o que devia ter vindo.
Acabada a modorra,
beijo o corpo que me abraça.

29OUTUBRO2014

terça-feira, 28 de outubro de 2014

MESURA



Deixei de idolatrar pessoas.
Ninguém merece isso (quase).
Diria quase ninguém,
como já disse sem afirmar.
Mas afirmo!
Afirmo o par de ideias,
o ninguém e o quase.
Ninguém é dívino por si só.
O divíno está dentro de nós.
Ser egocentrista por isso,
não trás chauvinismos absurdos.
É aprender a ser o próprio ser-se!
Há o apologismo da adoração.
Paternidade, reprodução,
pessoas inigualáveis.
Só reconheço afinal a primeira hipótese.
As pessoas não merecem!
Algumas merecem o que merecem,
mas não merecem o que quero.
Idolatro a humildade.
Não fraqueza estúpida,
mas a Sabedoria da Alma.
De resto, tudo é restos,
sobras de acumulação infiel,
por desrespeito às pessoas.
Dedicação e respeito.
Era só isso que teria direito!
Ficam as pessoas,
que não idolatro!


28OUTUBRO2014


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A COR DO MUNDO



Independentemente de tudo o que sinto,
há toda a tonalidade daquilo que vejo.
As cores são abjetas ao resíduo da inércia.
Os objectos irreverentes à natureza morta,
só por tudo isto sobrevivo indiferente.
Se são anjos ou demónios, não sei.
Há um em cada ombro, agrestes,
aveludados, com boa e má disposições.
É sempre longe demais a distância.
É sempre inesquecível o sentimento.
Há janelas que ficam entreabertas,
por defeitos desejados e falsas perfeições.
Os sonhos, são complexos de abandono,
alimentados por beijos de amor e,
noites indomáveis de desejo perdido.
A chama alimentada por mim,
perdeu o oxigénio em troca de nada.
Pois isso sim, é a dor da irreversibilidade.
Independentemente de tudo o que sinto,
todas as cores mudaram de tom.
O mundo virou cinzento. E gosto!

27OUTUBRO2014

A TENDÊNCIA DO AMOR




Ter a decência de amar!
Contactar um futuro imediato,
mais risonho que o sonho,
e ficar por esses passos.
São talvez passos peregrinos,
uma adoração fantasiada.
São talvez realidades acérrimas,
que alguém decide ignorar.
É o uso do corpo terreno,
através de viagem interiorizada.
É ter a decência de amar,
livre e sem medos de críticas.
É praticar o que se eleva nos outros.
É ser realmente simples. E bom!
Esta tendência não é aberrante!
Não é tão pouco fraqueza,
nem destreza de autenticidade.
Ser puro é ser assim.
É dar o que se não tem,
é querer amar quem não responde,
é ser familiar a outras famílias.
Talvez não ser quem eu sou,
simplificasse a minha vida!

27OUTUBRO2014

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

CINZAS




Despir a pele,
a carne, os ossos.
Cinzas.
Apenas cinzas.
O vento.
O mar.
Um sopro
E vou
E voo.

24OUTUBRO2014

DOENTE



Sinceramente, não sei!
Não sei o que sinto.
Não sei o que quero.
Não sei o que sou.
São demasiados "não sei"!
Mas sei!
Sei que erro.
Sei que não devia ser o que sou.
Mas sou!
E sei que quero ser o que sou.
Há um desperdício de felicidade!
Há uma tristeza frustrante!
Mas porquê esta forma de estar?
Porque vi o outro lado.
O da real necessidade.
O da fome. O da falta de amor.
Apenas tentei dar o que não tive.
E não recebi, e não vi retorno!
O simples retorno do que sim!
O excesso de orgulho,
o "status" que não existe!
Isso sim, existe!
Sinceramente, não sei!
O ser humano é doença!

24OUTUBRO2014

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O TUDO E O NADA



E foi então que tudo aconteceu...
Um Big Bang mais que natural,
tão natural como a sede das margens,
como o gemer silencioso das rochas,
tão natural como a criação de Deus.
Sim! Porque não a criação de Deus?
Criá-mo-lo indefeso e tosco,
embutido numa perspectiva atraente.
Borilá-mo-lo com uma imagem,
indestrutível e sofísticado como o Homem.
Aparececeram as tempestades,
ambiente e Humanidade troaram.
Um carnaval principesco e dúbio,
desinibido por todas as máscaras,
todas as falsidades que humanizaram.
Secaram as fontes da memória,
antes de alguma história sequer urgir.
Esculpiram-se vicissitudes adoráveis,
disparates acutilantes numa média
onde o escrutíneo revela pouco.
E moldou-se o corpo,
uma redoma complicada da Alma.
Talvez a proteja de alguns males,
seria essa a intenção do mecanismo,
uma forma medonha da perfeição.
Tão perfeita esta máquina,
que conhecê-la é mentira vulgarizada.
Se a Alma fala-se, daria o discurso
de uma eternidade aparentemente real.
Esta redoma, este invólucro de carne,
é o estudo da perfeição modificável.
Chamem-lhe de metamorfose,
ou a idiotíce mais à mão. Fragilidade!
Só o pó e a cinza revelam o início,
só ao pó e à cinza é o retorno final.
E foi então que tudo acabou...

22OUTUBRO2014

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

BEIJA-ME





"Beija-me",
assim seria a hora.
Já partiu a sede,
nesta fonte seca,
ou quase ainda.
Mas vem,
senta-te aqui.
Ouve os pingos cair,
sente a tua sede.
Abre a mão em concha,
e sente-me.
Pingo por pingo.
Na pele,
dentro de ti.
Passou a hora.
Perdi a sede.
Fica a fonte.
Beija-a.

20OUTUBRO2014

(IN) DEPENDÊNCIA




É fantástica a loucura!
Tomara eu ficar fiel,
a esta dependência.
Eterna,
serena e persistente.
Não sei do que falo,
mas sei que é bom!
Ó se é bom, sim.
A loucura.
Independentemente de tudo,
até de nada, ou apenas.
A diferença, está...
Sei lá eu, onde está!?
Só sei ser um pouco louco.
E não desisto.
Esta dependência salutar,
a minha reverência.
Ou irreverência?
Ou independência?
Eu sei lá...
Só sei que sim!
É esta abominável
dependência que
me torna independente!


20OUTUBRO2014

sábado, 18 de outubro de 2014

SILHUETA




Lembrei-me das sombras.
Nada a ver com o horrífico,
as sombras simples.
Apenas as minhas sombras.
O tédio das formas.
O diagnóstico da surpresa,
a imprevisibilidade.
Todos os contornos,
distorções de movimentos,
todo o corpório alterado.
Apenas silhuetas.
Porquê isto agora?
Pois é arte, se bem acho!
Arte interactiva, viva,
permanente e seguidora.
O corpo.
A Alma.
Tenho estas afogadilhas
de comparações dissonantes,
que a meu ver se completam!
Só a silhueta equivale,
à possível mistura palpável
entre corpo e Alma.
Lembra-me cavalos indomáveis,
tentativas de domesticar algo.
O algo aqui sou Eu.
A minha silhueta,
que foge sempre transfigurada
a todas as normas lógicas.
A distorção do corpo,
uma mescla de realismo e surrealismo.
Estes momentos de ócio,
são fantásticos para mim.
Sobrevivo à monotonia assim,
de encontro a lógicas ilógicas,
mas que se encaixam.
Assim sou Eu,
à imagem de mim,
a minha silhueta.


18OUTUBRO2014

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

TUDO O QUE ME LEMBRO




De tudo o que me lembro,
há sempre um vazio imenso,
o impregnável à minha espera.
Não a lamecha do espaço.
É bom pairar num estágio ermo,
halo e mistico, como a alma.
Só o espaço é devaneio eterno,
uma espiral ascendente e descendente,
em que todos os vórtices incomodam
onde os pólos nem sempre se tocam.
Há a destreza do corpo, claro.
Já bem balofo e bem usado,
sem restrições desesperadas,
com rugas em conquista, justo
é o espaço, que lhes pertence.
Sempre em uníssono com a alma.
Sempre! Absolutamente sempre!
Até os ecos são definidos. Exactos.
Por dentro, o centro da circunferência.
O ponto existencial intransmissível,
o agrado do Ego insatisfeito.
Vou-me lembrando dos vazios,
vou preenchendo alguns,
outros não. Até porque não prestam
(alguns) e, confronto-me com a vida.
A realidade é crua e inodora.
A moral, as estórias inventadas,
ainda com utopias por estruturar.
De tudo que me lembre,
tento criar alguns vazios.
É bom revivificar a memória,
para que os dias persistam vivos,
para que as noites sonhem e,
acima de tudo, para que Eu exista!


17OUTUBRO2014




quinta-feira, 16 de outubro de 2014

TANTAS COISAS



Hoje vi coisas.
Tantas coisas,
coisas de todos os dias.
Coisas diferentes.
Coisas...

Vi gente.
muita gente,
como todos os dias.
Não estagnei,
tão pouco investi,
em alterar o Mundo.

O meu mundo,
é todos os dias,
todas as coisas,
todas as gentes.

Permanente,
efémero,
mistificado
(quando consigo),
um Mundo!

Hoje vi tudo,
quase tudo,
todas as coisas,
com olhos fechados.
Não foi sonho.
Foi um retornar
a todos os dias.

A conclusão,
é...
ritmo.

Hoje,
foi o ontem,
diferente,
todos os dias.

A vida é gira,
e gira!


16OUTUBRO2014

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

ADORNAR




Enfeitada segue a vidinha,
com pétalas roubadas à flor.
Só de si um acto cruel,
desesperada a rosa nua.
Segui a blasfémia ,
bebi do hidromel que havia,
mas não resultou.
Absolutamente nada.
Encostei o peito,
num abraço arbóreo e,
senti o coração da raiz.
Profanada a pureza?
Nem ímpio chego lá.
Sossegada foi a noite,
seguindo exausta,
a preguiça do dia.
Nem um boreal louco,
me trás de volta o espanto.
Fico delirante na auréola,
sem retenção de amor-próprio.
Espalho tudo o que tenho!
E a vidinha segue,
pé ante pé, matreira,
sorridente a cada passo.
É como cócega mágica,
por cada toque,
reviram-se os lábios.
Cheirei as pétalas,
senti-as na pele.
As rugas da árvore,
o abraço eterno.
Servido como adereço,
adornei sem adornar.

15OUTUBRO2014

domingo, 12 de outubro de 2014

VOU VER O MUNDO




Vou deixar a noite chegar.
Com traços de chuva,
pitadas de vento,
e o tempo.
Vou ver um filme,
ouvir uma orquestra,
ler um livro,
e sonhar.
Sentir uma saudade,
olhar uma fotografia,
esboçar um sorriso,
e descançar.
Ver as notícias,
as últimas,
que já não são;
pensar um pouco,
e sorrir.
Vou ver o mundo,
o outro lado,
o meu mundo,
passar o portal,
e viver.
Amo esta vida,
e a outra.

12OUTUBRO2014

MALALA



Malala.
Há uma mensagem de amor
em todas as tuas palavras.
Lutar pela vida.
Literalmente, lutar pela vida.
Educação!
Lutar pela educação.
No Mundo.
Em nós, em ti,
na base do Humanismo!
Coragem.
A tua coragem.
Uma bala.
Tentativa de execução.
O milagre.
O verdadeiro milagre,
exposto por ti.
A lição.
A tua lição,
a única lição de amor.
Obrigado.

12OUTUBRO2014

À BOLINA DO TEMPO




Navegar na bolina do tempo
velas desfraldadas sem comando
numa paisagem de mar alucinado.
O canto de sereias perdidas,
canecas de chumbo vazias,
abandonadas barricas quebradas
nos escombros, em barcos piratas.
Bandeiras de caveiras esfarrapadas
em mastros bambos em cessação.
Um cheiro a sal delirante,
todas as ilusões de sede constante,
com tantos mares ali ao lado.
Por que são as águas diferentes,
quando podem apenas ser água?
Nem a natureza escapa ao paradigma.
Queixo-me eu de quê,
se os peixes nadam felizes,
sem refilar ou questionar
o ar que eu respiro?
Pilotar este navio é antagónico,
apenas pelo marejar confuso,
onde todos os liquídos se confundem
pela proximidade da diferença.
Esta bonança é estranha.
Esta paz, este silencio é grave.
Talvez o auge impróprio
de todas as perdas irreversíveis.
É boa a paz! É boa a bolina
que me transporta na corrente.
Destino é um estado da alma.
Naufrágio é perda de tempo.


12OUTUBRO2014


MAPA DA ALMA





Se eu desenhar um mapa da alma,
será um paralelo hermético do corpo,
elevado à alquímia da sobrevivência.
Todas as distâncias são motivo
de desejos genuínos, vontades próprias
talvez denominadas de amor-próprios.
Chegar a um estágio de impenetrabilidade,
impermiável a todos os hermínios,
traz um fogo lento e purificador.
Um estonteante nascer do Sol,
trás as cores enérgicas e quentes,
repelentes de desmoralizações perversas,
ateiam o pavio de um renascer diário.
Um por-do-Sol lento e amorfo,
desliga todo o desnecessário cansaço,
transformado em absorção de calmaria.
Se pudesse desenhar um mapa,
teria todos os contornos da sabedoria,
anónima e requintada calmaria,
de um escrito caseiro feito cartaz,
anunciando sorrisos e repouso.
A alma é importe inesgotável,
de ímpios e sagrados humanos,
com amor interno implícito.
O mapa está pronto.


12OUTUBRO2014

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

FALTA OXIGÉNIO




Desfiada a maturidade em partes finas,
serve para uma prematura afinidade.
A saudade nua e crua, um sopro,
um renovar de mocidade esquecida.
Serpentinas carnavalescas e burlescas,
máscaras de configuração ilibadas,
um mundo apetrechado de pequenez,
um beijo de benção prepositada.
Só eu entendo o que digo,
por mais que entendam as charadas.
Sou louco por um pouco e,
apaixonado por um pequeno nada,
é impulso que tendo a perder.
A tentação é inequívoca.
Reforçada por esta ejaculação mental,
de prazeres inesquecíveis e procurados.
Sou o Olimpo contemporâneo,
Deus de uma simplicidade utópica,
a secura de um deserto alagado,
em margens que não encontro.
Afogo-me. Estou afogado.
Só a felicidade me entende,
com esta falta de oxigénio.
Toda esta aflição inexistente,
uma luta respiratória intemporal,
um poço que me inicia a humildade,
e me constrói como a um templo.
Só os dias se transformam,
só as noites os acompanham,
e ficam os "nós" que eu sou,
desatado e liberto de mim próprio.

10OUTUBRO2014

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

DEIXAR-ME



Deixei de procurar.
Não há motivo,
Apenas vontade.
A vontade muda.
Aprendizagem,
Aculturação,
Erros conscientes,
Retornos inexistentes.
Deixar tanta coisa!
Deixar pessoas.
Deixar inércias.
Deixar utopias de parte.
Nunca fui de utopias.
A vida é realismo,
Os problemas, existem,
Tudo se resolve,
Mas nada por si só.
Depois há outra parte,
A parte boa,
O idealismo,
A vontade de...
Depois há a razão da Arte,
Fugir à realidade da vida,
Com criatividade,
Com esperança...
Deixei de procurar
Tudo o que quero,
E afinal não encontro.
Deixei a utopia ser livre,
Tudo o que afinal é vivo,
E imaginário, é inconsciente.
Deixei de procurar,
Antes de me perder!
Porque amo!


09OUTUBRO2014

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

ATÉ NÃO SEI QUANDO...



Estive tão perto.
Hoje.
Ali,
aos meus pés.
A diferença.
A pequena distância.
A irreverência das ondas,
pequenas e suaves,
espumosas,
cheirosas,
eficases!!!!!!
Ondas de um mar.
Tanta a vontade de entrar.
E ficar,
aiiiiiii
meu Deus,
e ficar.
Sentir-me lá,
num outro lado.
Calmo.
Eterno.
Equidistante.
O som,
delicado,
magnético!
Tanto!
Ai Deus,
tanto!!!!
A áurea do Sol,
o toque,
imberbe,
o horizonte.
Azul,
azul,
azul,
ó Deus,
tanto azul!
E eu!
Ignóbil.
Efémero.
Miserável e efémero.
Só não saí...
Só não parti.
Só não fechei os olhos.
Fiquei!
Cobardemente fiquei!
Até não sei quando...


06OUTUBRO2014 

TER DE VOLTAR




Indigitado regresso.
A indignação de
todos os regressos.
Devem acontecer,
ou não.
Porque,
tudo tem,
ou não tem
de acontecer?!
Ter de voltar.
A minha delinquência.
A revolta do sim.
O ódio ao não.
Um motejo reparável,
uma carga vazia.
A volta.
Revolta.
Meu falario,
onde fico,
onde parto,
sair daqui.
Ou não.
Volto.
Revolto.
São verbos.
Ter de voltar.
Revoltado.


06OUTUBRO2014



UM NADA PERMANENTE



Palavras de pedra incandescente,
serviram um vulcão adormecido,
soltando garras e sensações.
São essas as garras que ferem,
disfarçadas de um nada permanente.
Palavras são o desânimo, por ausência,
são o silêncio de um estado infeliz,
são o espernear da imagem intolerável.
Amo tanto todas as palavras!
Só os silencios as criam,
por bem e, sem qualquer fim.
Há um nada permanente,
quando o silêncio é opaco.



06OUTUBRO2014

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

ACORDEI



Só ao acordar me identifico
com o cerúleo da vida.
É como ter o dom de cerzir
todas as nuvens com um só fim.
Manter uma harmonia teatral
com palcos de mar, com cenários
de todos os tons, sem desadornar
todas as minhas fantasias.
Lograr prematuramente de um futuro,
de um novo paraíso,
com novos parâmetros,
além de ainda por decidir,
sem definições irreversíveis.
O paroxismo da minha alma,
pode irritar um sossego difícil,
algo que o hábito apoderou,
sem licença, mas respeitando
este meu Ego cansado.
Todas as mudanças na vida,
alimentam o cercear das decisões,
com um toldar discreto de sensações
quase impossíveis de controlar.
Claro que me sinto privilegiado,
sem a jactância do triunfador.
Acordar assim, confunde-me.
Nem sempre, mas amiúde.
Querer um quadro perfeito,
é um direito inato mas utópico,
por todos os restos de dias,
cinzelando nas horas que aparo
toda a eloquência da realidade.
Acordar pode até ser cruel,
mas regresso lépido a mim próprio,
sem que, o sonho interrompido,
me trate de forma obscena.
Sem irritáveis vinganças,
aprendo a delinear outra vida
como um espelho inventado,
sem qualquer retorno de imagem,
que não, o meu real sorriso.
Acordei.


03OUTUBRO2014

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

ÓLEO PICTÓRIO DE VIDA



Sou o óleo na água.
Insolúvel e proporcionado,
pelas dúvidas que já não tenho,
com a força que nunca tive.
Ó Deus... Estou cansado.
Não perco nada em estar só.
No fundo, sempre estive.
Claro que a natureza humana,
esta que me deste e não chega,
é desconforto ignóbil da desilusão.
Preferia ser o óleo no pigmento!
Preferia morrer da pele e corpo,
entrar num mundo novo e de cor.
Preferia conquistar outras coisas,
folhas, telas, os espaços brancos,
vivê-los em imagens tão diferentes,
onde apenas a felicidade,
a minha discutível felicidade,
mesmo que impossível fosse,
me retorne a excentricidade inata.
Aquela que sempre tive.
O existir em mim.
Quero estar quieto, sentir-me assim.
Um pouco só, um pouco ecléctico,
mas sempre só dentro do meu Eu,
da minha dor e amor,
do meu frio e calor,
do que só eu urro ao céu.
Só assim acredito nos outros.
Os que dizem que sim, só porque sim!
Cada vez percebo menos!
A simplicidade?!
É difícil encontrá-la além de mim.
Não acreditem. Não assumam.
Acusem pela vossa fraqueza.
Iludam-se a vós próprios nesta imagem,
a que me dói e, só eu sei ser a vossa.
A dor já não será minha. Já foi...
Não percebo o mundo sem este sonho.
Um sonho realista, com raios de tudo,
quentes de um Sol alucinante,
até cair em mim e partir,
para um outro lado lunar.
Aqui, só aqui, só o Eu.
O que quer e já não dá,
o que perde e já não encontra,
o que ama e já não quer amar.
Ide! Ide à vossa pobre vida.
Ficai nesse pobre Ego disfarçado,
de tão pouco. Ó Deus, de tão pouco.
Fico Triste! Sim, claro que fico.
Tenho pena de vós!
Vivam! Sejam felizes!
Sejam amigos e inimigos,
mas deixem-me por favor!
Deixem-me só,
em paz.
Feliz!

01OUTUBRO2014

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

ESQUECER



Sabes o que é esquecer?
Nem eu sei.
Tento tanto, que esqueço.
Esqueci tanto,
que tudo rebenta,
como a onda esquece a espuma,
como a escarpa esquece a dor,
onde a terra desfalece ao beijo do mar.
O beijo é desfaçatez consciente,
que adiamos sem querer o fim.
Sabe tão bem.
Apenas porque sabe tão bem.
É o que foi a primeira fase,
a fusão dos nossos corpos,
o eco mimado do desejo,
a ecografia de um amor escondido.
Que existe. Dentro dos corpos,
que a mente repele sem consciência da dor.
As metáforas do sentimento,
são tão cruéis como a morte,
a interior, a que fica,
a que persiste em viver vazia.
A vida, a que continua,
como dizem todos os hipócritas,
que acham as vidas semelhantes,
renasce da alma que ardeu,
ao varrer todas as cinzas.
A minha vida, é minha,
sem o devido respeito a que tenho direito,
Sem a diarreia mental que vos sai,
dessas bocas e mentes penosas, só vossas.
Amo quem amo,
desprezo veementemente,
quem acha que sabe o que sinto.
Sois grandeza invertida,
nessa vossa grande pequenez.
Gritante é o poder do amor.
A vossa sabedoria, é moribunda,
graciosa insanidade, nascida
da vil loucura escondida.
São atalhos lamacentos,
tapados a passadeiras vermelhas,
falsas como os vossos falsos sorrisos.
São essas fragilidades doentias,
Que me recuso a sustentar,
imaculadas por egocentrismos e,
imagens débeis exteriores.
Estou cansado do faz de conta.
Já me chega a minha coragem.
Morrerei e serei salvo.
Esquecerei e serei esquecido!

26SETEMBRO2014

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

INTERMINÁVEL PRESENTE



Posso passar pelo tempo assim.
Interminável presente,
adormecido, cruel, desenrugado.
Sem suor, nem lágrima apetecida,
só um, só outro, só este momento.
Posso passar por aqui vazio,
desembarcar neste cais solitário,
neste espaço, entre mim e o mar.
Tanta gente sem ver ninguém.
Cheiro o sal e a lama fria,
o marejar da onda que acosta,
lenta, suave sem sentimento.
Não sei andar, nadar ou ficar.
Adorno neste cais imberbe.
Retraindo velas,
sem que sopre vento,
só cor por companhia,
azuis de um horizonte,
mar, céu e harmonia.
Eu não sei navegar,
apenas flutuo.

25SETEMBRO2014 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

SEI SER POUCO



Sei ser pouco!
Exacto obscuro,
ramo maduro,
a folha que cai.
Sei!
Ser o silêncio.
O que nunca fui,
que sinto e lamento.
Ser pouco...
Pouco de tudo,
reflexo de nada,
intenso,
obsoleto.
Sei!
Sei ser nada.
Nunca fui,
menos o que sou.
Sei ser pouco,
sei dar tudo,
sem troco. Sei!
Ser pouco!
Sou pouco.
Sei também,
que sei,
que sou(!),
muito mais,
que muito!
Sei!


23SETEMBRO2014

sábado, 20 de setembro de 2014

A ESPERA


Espera.
Esta espera.
Tão próximo,
tão longe.
Espero.
Sem desespero.
Mas quero!
E voo.
Estratosfero.
Um sonho,
eu entendo.
A espera,
esta espera.
A falta,
o momento!

20SETEMBRO2014
 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

NADA MAIS




Um sorriso.
Nada mais faz falta.
Sobra-me sangue,
neste músculo palpitante,
que me encoraja a calma.
O rítmo pode crescer,
galgar veias vazantes,
mas,
só a paz basta.
Preciso de pouco,
de incrívelmente pouco.
Comunicar...
Se eu desabafar,
todo o corpo enrija.
São memórias vazias,
poucas,
as nossas alegrias.
Um sorriso.
Apenas,
ou talvez tanto,
só isso.
Um sorriso.
Nada mais.
Só isso!

18SETEMBRO2014

domingo, 14 de setembro de 2014

APENAS PALAVRAS





Podia tornar o fogo em água, com um ardor amolecido e cristalino. Um sopro poderá atear ou apagar todo o meu fogo. Se sou elemento, não sei. Faço parte desta mistura interactiva e misteriosa que se completa por complexidades tão simples. Sou a alma que pensa demais. Sou o corpo que sofre de uma qualquer falta ou falha de fabrico efémero. Toda esta máquina que me move, todas as vossas máquinas que vos movem, são a prova de uma criação maior que arte. Arte única, previsívelmente imprevisível. Um poder enorme, uma fraqueza cósmica definida por si só. A imensidão de todos os nadas é simbologia directa e omnipresente.
Comigo, são palavras.
Apenas palavras!



14SETEMBRO2014

sábado, 13 de setembro de 2014

SAGRADO E PROFANO




O que me faz gostar,
é um pouco de masoquismo,
tão intimo que só eu sei.
São algemas presas
aos cantos da alma solta.
Destilando sensações
pelo apurar dos poros,
enquanto a pele, enruga
a cada aperto do teu corpo.
Só este suor me cheira bem.
Só este corpo me prende,
e me faz gostar de qualquer dor.
Talvez seja amor.
Talvez.
Um dia, só por si, será o dia.
Sentir um afogar de corpo,
o aproximar do êxtase.
Só a vida se compara à morte,
A falta de oxigénio
de um orgasmo,
de um desfalecer.
Um pouco de dor boa,
o sexo, o amor com sexo.
O que me faz gostar,
é esta forma diferente de vida.
Se anseio o desejo,
procuro as palavras que me tocam.
O amor já existe,
o sagrado e o profano,
que me penetra o sossego,
será o prémio de saber sofrer.
Sofro a sofreguidão da espera!

13SETEMBRO2014

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

SÓ EU





Só o tempo.
A espera.
O sonho.
O que sinto.
Só!

Não é muito.
Não é nada.
É o velho sentimento.

Só o tempo.
O impulso.
A sensação.
O que sinto.
Só!

Só o tempo.
Só eu.
Só!



12SETEMBRO2014

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

ARQUITECTURA SINCRONIZADA




Toda esta droga de tempo,
é humilhante e previsível,
torna-me a vida num inferno.
É admirável e mecanizada,
prova de uma criação arquitectada.
Deixo de pensar no presente,
ao mesmo tempo que penso no passado.
Faz-me ter receio de um futuro lógico.
Tudo está tão sincronizado.
Tudo, menos a inteligência.
O que me desilude é a falha do Homem.
É como ter um prato cheio de comida
e passar fome por preguiça e inércia.
Muito falo eu em inércia.
Há uma incompetência gritante
nas atitudes humanas. Gerais,
com o Mundo e com as pessoas.
Pelas próprias pessoas.
Tudo tem uma estrutura de sustentação.
Um corpo, um volume, um peso,
uma máquina tão perfeita como nós,
tão perfeita que nem a conhecemos.
Nada existe só, com o que está fora,
só com o que está dentro, apenas
tudo o que está acima de nós,
se projecta paralelamente na nossa base.
Se há mistério, que fique a dúvida,
a certeza dificilmente será encontrada.
A verdade está no acreditar.
A ser, em ser, no ser!

10SETEMBRO2014


SER HUMANO




Complexidade é um termo indígesto.
A única atitude possível será
desmultiplicar a negatividade.
Há um ponto ideal de fusão,
que torna a pureza ao máximo.
A alquimía da existência,
matemática, geométricamente
ligada ao poder reencarnado,
à procura da perfeição, é simples.
Sei que esse poder existe,
procuro-o diáriamente,
contra todas as impurezas
que teimam em importunar-me.
A minha pedra filosofal,
é perfeitamente alcançável
com a perseverança do amor,
da recorrência permanente
a uma anti desistência activa.
Serve-me a natureza como exemplo.
Tudo é simples na natureza,
tudo se enquadra em harmonia,
nos ciclos de vida e morte,
no renascer e reciclagem natural.
Nada se cria, nada se perde,
tudo se transforma. Tudo!
Tal como dizia o filósofo!
Os filósofos sabem tanto!
Sabem tanto ou mais que a ciência.
Talvez a ascendência do Homem,
a ancestralidade, afinal não minta
por falta de conhecimento actualizado.
Talvez até, estejamos nós
por actualizar, com a falta teórica
desse conhecimento dógmático.
Nada de utopias é favorável.
Tudo é complexo a partir do caos.
Nada existe sem ordem,
não se cria ordem sem transformar
todos os tipos de caos.
A mente Humana é um caos.
É uma luta permanente.
É procura de ordem e respostas
a todas as tantas incógnitas,
a todas as regras naturais inexplicáveis.
As regras humanas são ignorantes.
Falar aqui, sobre isto, é o meu caos.
É a "doença" permanente boa,
é a dor compulsivamente doce,
é o que me motiva estar "aqui".
Contra tudo o que é impuro,
há a pureza suprema dentro de nós.
Vamos então, viver o dom da vida,
da forma mais simples.
Ser Humano!

10SETEMBRO2014

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

TU...




Hoje não parou a chuva.
Um verão que desilude,
como tantas outras coisas.
Até a vida tropeça amiúde.
Mas a chuva mexe comigo.
São pedaços de mar.
Por chegar, por subir e cair,
soltos, honestos, sem medos.
Não entendo esta atracção.
Amo a chuva pelo toque,
como amo quase tudo.
A vida é um dom precioso.
Agarro e uso esta virtude,
sendo apaixonado; e peco.
Peco por ser assim,
mas confesso que é bom!
É muito bom ser o que sou.
Nunca poderia ser diferente.
Tenho na minha quota parte,
uma estadia por cumprir.
As pessoas mudam,
mudamos de pessoas.
A vida é um rolamento
desenfreado sem travão.
Há que lubrificá-lo,
deixar e senti-lo rolar sozinho,
até um qualquer destino.
Neste preciso momento,
tenho um destino.
Intenso, simples e puro.
Tu...


08SETEMBRO2014


domingo, 7 de setembro de 2014

REINO DO SOL




Só a visão me falta,
nada me impede, em nada,
se no teu corpo sossego.
Está fresco.
Um escuro amanhecer,
um brilho que chegará.
Um Sol perto,
um corpo cansado,
um resto de vida.
Vem.
Vive esta vida.
Porque se minha,
serás flor,
que cheiro e,
que provo,
do amanhecer,
até à madrugada.
Toca-me.
O corpo,
a alma.
Cheira-me o mote,
meu epitáfio de vida.
Nasce comigo,
cresce comigo,
no meu reino do Sol.

 07SETEMBRO2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

EGO, ALMA E ARTE





Um sonho.
Vivo.
Perplexo,
o sonho e a Bela arte.
Vivi ali,
num duro assento.
Corpo solto,
deste meu corpo.
Velas,
espaço de adoração,
essências no ar.

Um sonho.
Vivo
Perplexo,
sem pancadas de Moliére,
o fora de moda
despropositado.
Ser actor é poder,
é tão enorme,
que não o tenho.
Sem falso sorriso.
Fantástica é a vida,
com Arte.

Um sonho.
Prolongar o Ser,
o meu alimento.
O Ego,
beijados os corpos.
A Alma,
repleta de calma.
Só isto.
Faz falta quem ama.
Só não amo,
com a falta de Arte.

Os três sonhos, aqui.
Os que amo e padeço!


05SETEMBRO2014

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

SÓ O CÉU ME GHEGA




Só o céu me chega.
O horizonte fica fora de mão.
Ao Sol, chega uma mão,
à Lua, de cinzenta e escura,
apenas chega o coração.

Era bom poder flutuar,
baloiçar sem propósito
atado a qualquer núvem.
Seca, de cuidado escasso,
cheia de chuva, que me acorde.

O ar, que me acolhe,
é por lá que tento ficar.
Se desço à terra, atolo-me
em enganos nesta lama,
que me agarra e me chama.

Quero azuis diferentes.
Que sejam sementes,
toda uma vida de espera.
Um pássaro livre,
com asas estranhas,
um anjo sem artimanhas,
que ensine a quem amo.

São pobres as correntes
que não mudam as margens.
São pobres as tempestades,
que não trazem bonança.

Amo assim o céu.
Adoro quieto a Lua.

Para ser livre,
só o céu me chega.

04SETEMBRO2014

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

SÓ!





Acordei amarrotado.
Eu. Esta obra de arte, original e discutível.
Já oiço risos e ironias. 
Adoro provocar sensações.
Acordar, é realmente um dom pouco apreciado.
É função mecânica do corpo,
um minuto a seguir a outro,
um dia por dia.
Depois, vem o durante.
O "acordado" e o voluntáriamente adormecido. 

Ignorar a realidade amarrota a arte da vida.
Viver na Lua é para os lunáticos.
Gosto mais de inteligência!
Daquela que as pessoas têm,
só as pessoas têm e fazem uso dela.
Comigo.
Tem de ser comigo também.
Usem-me, com inteligência.
Não sou dado adquirido.
Quero aprender a ser inteligente.
Com urgência.
Urgentíssimo!

Acordar amarrotado.
Eu, esta obra de arte,
tenho de ser alinhavado,
níveladao e actualizado.
Uns pós aqui, uns pós ali e,
uns pós-indiferença que deixei.
Não quero muito.
Nunca desejei muito.
Da vida, só felicidade.
Proporcionar e receber.
Duas direcções.
Viver é retorno!
Quero que sejam felizes.

Importantíssimo!
Só!

01SETEMBRO2014

sábado, 30 de agosto de 2014

SABER (A)MAR




Saber amar.
Sabem?
Vou-vos contar.

Saber amar, é raiz.
Enraizada, profunda;
fica e cresce forte.

Não é lusco fusco,
talvez ou porque sim!

Saber amar, é Poder.
É partilha,
É cumplicidade.
É mistério.

Sem prisões.
Sem desdéns.

Sou feliz,
Mas só assim!

Sei amar até ao fundo,
Crescer o que é profundo.
Alimentar o que é raíz.

Só o amor é maior que o mar.
Basta uma letra!


30AGOSTO2014



sexta-feira, 29 de agosto de 2014

NASCER E SER MAIOR


Nascer e ser maior.
Crescer!
Sonhar,
Sem réstia de dúvidas.
Nunca!
Nunca desistir da felicidade.
Tantas pessoas,
Chegam e partem.
Tantas portas,
Abertas se fecham.
Tanto de tudo,
Um pouco de tudo,
Restolhos,
De quase nada.
Não desistir!
Um lugar comum,
A liberdade!
O indivíduo!
O pensamento!
Sou testemunha e,
Prova de liberdade
Individual.
Sou livre!
Aqui,
O meu espaço,
Um dos espaços,
Onde pertenço.
Com objectivos,
Força de vontade,
Apenas isso,
Alcançar a felicidade!
Nasci, vivi e vivo.
Voltei, fiquei e morri.
Ou morrerei.
Renasci!
Um ciclo infinito,
Inquebrável!
Tudo se transforma.
Nada muda.
Só o tempo!


29AGOSTO2014

ESTADO DE GRAÇA



Estado de graça.
Assim.
Só vento,
solto.
Silêncio,
a Terra.
Margens inundadas,
frágeis as correntes,
Nós apertados,
pedaços de troncos.
Mordaças cortadas,
gritos de sim!
Apetece ser maior!
Crescer por dentro,
sempre, a todo o momento.
Sumir, como o tal vento.
Ver.
Já vejo pouco.
Um quase nada,
porvir.
Materialista inanimado.
Eu,
sensível,
à mais leve sede.
Segue-me,
Sigam-me,
Tragam passos;
Sorrisos e cantorias.
Só o Sol me encandeia,
Só o fogo me queima,
Os de dentro!
Quero tudo,
tanto de tudo;
Quanto baste!
Ficar,
voltar,
a ser!

29AGOSTO2014

terça-feira, 26 de agosto de 2014

TANTA COISA





Falta um acordar.
Falta nascer,
renascer, reencarnar.
Falta o que quiserem.
Mas falta!
Falta inundar a vida.
Faltar alimentar união,
Solidariedade, compaixão.
Falta tanta coisa!
Falta o respeito.
Falta a Humanidade.
Falta ser melhor,
educar em liberdade.
Falta compreender.
Falta confessar.
Falta parar, pensar,
Recuperar o Mundo.
Falta paciência.
Falta indulgência.
Falta tanta coisa!
Falta de tudo,
Até o amor!


26AGOSTO2014

O VEREDICTO



O veredicto é simples.
Culpabilidade ou acusação.
É simples viver com a realidade.
É difícil entender a realidade.
Há uma linha que separa a loucura
de toda a inércia consciente.
Ser louco pode ser clínico,
perfeito se for excentricidade.
É simples o veredicto.
Reagir à negatividade do silêncio.
Do mau silêncio.
Há o bom silêncio.
Inteligente e necessário,
defesa inteligente contra o mal.
Apenas contra o mal!
É simples a verdade.
É simples comunicar.
Não é o abuso,
Não é desdém,
Que alimentam a saudade.
O meu veredicto é simples.
Culpado!
Culpado por tudo o que não.
Culpado por tudo o que sim.
Por nada do pouco que sim.
Culpado pela desilusão.
Tenho pena!
Pois...
Tenho pena
De não ter pena nenhuma.


26AGOSTO2014

sábado, 23 de agosto de 2014

TIVE-TE



Tenho-te.
Tenho-te.
Tive-te!
Tenho-te!
Tanto!
Lábios,
astros,
astrolábios.
Pólos,
Equador.
Tive-te!
Tenho-te!
Amor.
Tenho-te.
Tenho-te.
Tive-te!
Tanto!
Sabor,
Cheiro,
Tacto.
Dor!

23AGOSTO2014

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

PERMANÊNCIA




A permanência é virtual.
Efémera, injusta no mínimo!
Apreciar os cheiros,
as cores, usar e abusar
todos os sentidos humanos.
Estes mimos são prémios,
presentes naturais
para usar a inteligência.
Depois vem o amor.
O inato, animalesco
dedicado e puro do nascimento.
Até os vegetais procriam.
A permanência é um teste.
Uma parte do projecto divino,
porque de divino o chamamos.
Esta arquitectura complexa,
funciona da forma mais simples.
Como o primeiro relógio mecânico.
Evolução permanente, por nós
inconsciente. Tantas vezes...
A permanência, não pode ser longa.
É o domínio de uma vida.
Permanecer é passado.
Permanecer é presente.
Futuro é amanhã, daqui a pouco,
um minuto, dois minutos e,
tudo acaba em fórmula inversa da vida.
É isso triste? Nada!
Nunca nada que finde é triste.
Morrer é renascer.
A permanência é virtual.

22AGOSTO2014

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

TENHO PENA



Um dia, redescobri a ilusão.
Foi estranho!
Já não acreditava em sonhos,
em pessoas e sentimentos.
Adaptei-me aonos seguidos,
à apreciação do Mundo,
das pequenas coisas simples,
das Artes e da felicidade própria.
Acordei um dia, enganado.
Senti na pele um tempo grato,
acreditei que afinal era teimosia.
Teimosia minha em não acreditar.
Passaram alguns anos,
o acreditar retornou à velha teimosia.
Há pessoas boas, sem dúvida que as há!
Boas para uns, más para outros.
A minha entrega é um abismo,
onde sempre caio redondo no vácuo.
Tenho pena!
Tenho pena de ter sonhado.
Tenho pena de ser usado.
Acima de tudo não tenho pena de mim.
Incrívelmente sinto-me feliz.
Sinto-me feliz por ser assim.
Mas tenho pena!
Tenho pena da desilusão.
Tenho pena de quem me desiludiu.
Tanto!
Tanto! Tanto!
A colecção de cicatrizes cresce,
maiores, mais lassas e difíceis de sarar.
Mas saram!
Foi estranha esta ilusão.
Acreditei!
Tanto!
Tanto! Tanto!
Se me chamares de desgraça,
mira-te ao espelho!
Pára e pensa, sózinha
quando desces desse pódium de nada!
Tenho pena.
Tenho pena de ti!


20AGOSTO2014

terça-feira, 19 de agosto de 2014

PORQUE QUERO!




À flor da pele.
A fraqueza.

Sinto porque sinto.

O que cheiro,
O que toco,
O que digo.
Porque quero!

A cumplicidade...

Não tenho nada disto!

Já nada faz efeito.
Já sequer eu sinto,
Porque quero!

Não perco nada!
Não tenho nada,
Não tive nada.
Nem a falta.
Porque quero!

Tenho o amanhã.
Porque quero!

Novas sensações,
Novos vazios,
Novos desejos.
Porque quero!

Faz falta,
O sim,
O não.
Porque quero!

Eu tenho,
Eu terei,
Eu sou,
Eu serei!

Porque quero!


19AGOSTO2014

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

IMAGINEM




Imaginar um poema.
Percam um pouco de tempo.
Tenham a coragem de ler,
Tanta coisa estranha e doce,
Tanta coisa estranha e amarga.
Coisas simples, ilusões, amor.
Sentimentos básicos,
Elevados a desabafos.
Imaginar a crueldade.
Nua e crua, imensa.
A sinceridade, parcamente dita.

Relaxem.
Sentem-se e, cruzem as pernas.
Peguem a chávena do chá,
Do café, o copo de whisky.
Mexam ao ritmo das palavras.
Se for amargo, o açúcar adoça.
Se for mau, o alcool apaga.

Imaginem a vida sem palavras,
Sem os símbolos, sem as letras.
Fujam à ignorância.
(Por favor!)
Sintam a força da fragilidade.

Um livro, uma amizade,
Uma viagem que se guarda.
É a tentação a que chega,
É boa e, o bom,
É vivê-la com intensidade!

Imaginem um poema.
Um mar de cheiros e tacto.
Um fechar de olhos,
Um Portal imaginário.

Agora,
A vida sem poesia.
Imaginem...


14AGOSTO2014